Os preços das viagens de avião na Ryanair vão ser “mais baixos” este verão. A garantia é dada pelo presidente executivo da companhia aérea low cost, mas não pelos melhores motivos para a empresa.
“Antecipamos que as tarifas do segundo trimestre [julho a setembro] sejam materialmente mais baixas do que no verão passado”, afirmou, esta segunda-feira, a transportadora, que adianta que o preço médio de uma viagem na Ryanair já caiu de 49,07 euros para 41,93 euros.
Isto porque, apesar de o número de passageiros ter até aumentado 10% (para 55,5 milhões), os lucros da companhia aérea caíram para quase metade entre abril e junho. Ficaram pouco acima dos 360 milhões de euros, 46% abaixo do registado no mesmo período em 2023.
O presidente executivo da Ryanair, Michael O'Leary, sublinha que a Ryanair tem tido muita resistência por parte dos clientes sempre que tenta aumentar os preços, pelo que tem procurado a venda agressiva de bilhetes a baixo preço, para manter a procura elevada.
“As tarifas aéreas mais baratas são ótimas para os viajantes, mas más para as companhias aéreas, que tentam recuperar financeiramente após a pandemia”, explicou Dan Coatsworth, analista de investimentos da AJ Bell, em declarações ao jornal The Guardian.
“Isto coloca mais pressão sobre as companhias aéreas no sentido de ocuparem os lugares e encherem os aviões para maximizarem o potencial de receitas”, continuou o analista, que nota que os viajantes estão mais relutantes em reservar voos com antecedência, possivelmente pela “pressão da persistência de taxas de juro elevadas” ou pela procura insistente por “pechinchas”.
Ações em queda e um apelo urgente a Bruxelas
Mas não são só os preços dos bilhetes e as receitas da companhia aérea que estão em queda. Também os valores das ações da transportadora caíram 12,5%, esta segunda-feira – e, de acordo com The Guardian, a queda parece ter tido um efeito de arrastamento noutras companhias áreas como a EasyJet (menos 7,5%), a Wizz Air (menos 6,3%) e a IAG, dona da Iberia (menos 3,3%.)
A falha informática da Microsoft, que afetou vários aeroportos e companhias aéreas, levando ao cancelamento de milhares de voos, também não terá ajudado. Assim como, aponta o presidente executivo da Ryanair, dificuldades causadas pelo controlo de tráfego aéreo (greves no estrangeiro e aumento dos intervalos entre aviões)
“Este é o pior verão de sempre em termos de atrasos no controlo do tráfego aéreo”, declarou o presidente executivo da Ryanair, que pede, com urgência, uma reforma deste setor à nova Comissão Europeia e ao novo Parlamento Europeu.
