Embora a taxa de pobreza em Portugal esteja a diminuir desde 2005, a trajetória otimista contrasta com números que ainda são motivo de preocupação. O relatório do último balanço social contabiliza 900 mil pessoas que, apesar de estarem empregadas, estão em situação de pobreza absoluta.
"As pessoas têm salários que não permitem fazer face ao custo de vida que neste momento assistimos", disse, à SIC, Fátima Veiga, da Rede Europeia Anti-Pobreza.
Nas cidades, a pobreza é mais comum (8,8%), com mais 2% de casos do que nas zonas rurais (6,9%). Esse contraste destaca o custo de vida elevado, especialmente na Área Metropolitana de Lisboa, onde a habitação apresenta valores muitas vezes inacessíveis.
A taxa de pobreza absoluta varia entre 8% e 12%, com os desempregados a representar 25% e as famílias com crianças cerca de 12%.
O contexto económico nacional continua a empurrar muitos para baixo. No relatório "Portugal, Balanço Social 2024", os imigrantes são um dos grupos mais afetados, assim como as crianças. Há 37 mil menores a viver em agregados com rendimentos abaixo do custo da dieta essencial.
As associações defendem mais apoios sociais para as famílias carenciadas, para evitar o agravamento dos dados, já que atualmente há mais de 1 milhão e 600 mil pessoas em situação de pobreza.
