Economia

Quer ter um "nível de vida digno" na reforma? Poupar é "cada vez mais urgente"

Se não forem feitas reestruturações no sistema de segurança social, a pensão média deverá passar de 69.4% do último vencimento para 38.5% em 2050. No Dia Mundial da Poupança, a DECO alerta que poupar para a reforma é "urgente". Pequenas poupanças, decisões e escolhas adequadas farão a diferença quando lá chegar.

Quer ter um "nível de vida digno" na reforma? Poupar é "cada vez mais urgente"
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Poupar para a reforma é "cada vez mais urgente". Sem isso não terá um "nível de vida digno" semelhante ao da idade ativa. Quem o diz é a DECO. A Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor defende a existência de incentivos fiscais, produtos transparentes e educação financeira, face às previsões de uma queda "drástica" da taxa de substituição das pensões em Portugal.

Apesar de a poupança para a reforma ser um "tema tabu, muitas vezes associado a quem tem rendimentos elevados", é imperativo falar dele no Dia Mundial da Poupança.

A DECO - Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor explica, em comunicado, que a esperança média de vida continua a aumentar e, pelo contrário, o valor das pensões a diminuir.

Se não planear a reforma com tempo não terá um "nível de vida digno, semelhante ao da idade ativa". Pequenas poupanças, decisões e escolhas adequadas farão a diferença quando lá chegar.

Poupar para a reforma deve ser encarado como um "objetivo ao longo de toda a vida ativa", iniciando-se assim que entra no mercado de trabalho", defende a DECO, que identifica uma "elevada vulnerabilidade financeira" de quem chega à reforma sem poupanças próprias.

Porquê? Eis a explicação

"Face à queda das pensões do Estado, é imperativo que os portugueses mudem o seu planeamento financeiro e que se criem novas políticas de proteção social", alerta.

Apesar de terem tido um aumento máximo de 3,85% este ano, as projeções da Comissão Europeia apontam para uma queda "drástica" da taxa de substituição das pensões em Portugal.

Se não forem feitas reestruturações no sistema de segurança social, a pensão média deverá passar de 69.4% do último vencimento para 38.5% em 2050, alerta a DECO.

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Propostas da DECO para "mitigar os desafios" no futuro

Face a este cenário, a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor apresenta algumas medidas para "mitigar as dificuldades e desafios das gerações mais jovens" no futuro. Na prática, defende a existência de incentivos fiscais progressivos, produtos transparentes e educação financeira para todas as idades.

  • Reformar a forma como pensamos a reforma - ou seja, planear e compreender o futuro financeiro através de programas de literacia financeira e proteção para o futuro e garantindo apoio independente para escolhas de poupança e produtos financeiros;
  • Direito à reforma, direito a poupar - a poupança "tem de ser um direito social e uma prioridade de política pública". De acordo com a DECO, isso pode ser feito através de incentivos fiscais que beneficiem todas as faixas de rendimento, produtos de poupança simples, claros e transparentes, sem taxas escondidas e reduzindo a carga fiscal sobre os depósitos a prazo;
  • Pequenas decisões, grandes diferenças - isto é, pequenas contribuições têm "impacto real a longo prazo". Para isso, ajudam campanhas de sensibilização sobre a importância de poupar desde cedo e assegurando acesso a informação imparcial, clara e independente.