Os trabalhadores da Sumol Compal estão de novo em greve. Exigem um aumento dos salários e estão revoltados com as alterações que o Governo quer fazer às leis do trabalho, querem a negociação do contrato coletivo de trabalho e estão contra o pacote laboral.
É já a terceira paralisação este ano na unidade fabril de Almeirim. Duas dezenas de trabalhadores concentraram-se em protesto junto à rotunda perto da fábrica.
Entre as reivindicações encontra-se “a negociação do contrato coletivo de trabalho”, mas também a subida do subsídio de refeição, aponta João Cortimpau, técnico de manutenção industrial da Sumol Compal.
Os protestos têm surtido algum efeito. O prémio trimestral que os trabalhares recebem atingiu em setembro um valor recorde, foi o melhor dos últimos 10 anos.
Ainda assim, falta negociar o contrato coletivo de trabalho, que não sofre atualizações desde 2009.
“Temos perdido poder de compra e qualidade de vida”, afirma Vítor Martins, operador fabril na Sumol Compal.
“Toda a gente pensava que isto continuava a ser uma empresa de topo em termos salariais. Não é o caso. É líder de mercado, mas não é líder nos salários que pratica.”
Os trabalhadores dizem que a última subida salarial não colmatou 12 anos sem aumentos.
“Os salários são extremamente baixos. Estamos a falar de um grupo, a Sumol Compal, que, no ano passado, teve 14 milhões de lucro. E os aumentos não foram nada significativos. Houve trabalhadores que não conseguiram ter um aumento digno”, denuncia Marcos Rebocho, coordenador do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Alimentar.
Os trabalhadores aguardam resposta por parte da administração, numa altura em que os sindicatos se unem numa greve geral, a 11 de dezembro, contra a reforma laboral, que consideram ser um regresso ao passado.