O anteprojecto do Governo, com mais de 100 alterações ao Código de Trabalho, está a unir as centrais sindicais na contestação. Esta segunda-feira, o pré-aviso de greve da CGTP já estará no Ministério do Trabalho e a UGT decidiu já que a greve será geral.
De nada serviu a tentativa de aproximação do Governo, com propostas que a central sindical considera tardias e inócuas.
“Aquilo que percebemos é que o Governo vai levar a proposta tal como está para a Assembeia da República, por isso que acho que não podemos perder a rua. Este é o momento”, sustentou Mário Mourão, secretário-geral da UGT em entrevista a Antena1 e Jornal de Negócios.
A UGT diz que a falta de vontade de mexer nos diplomas vem da concertação social. Na passada terça-feira, em reunião com a UGT, fora do calendário negocial, o Governo propôs mudanças no luto gestacional, na prova de amamentação, e a possibilidade de voltarem os 25 dias de férias que troika aboliu. Cedências que não chegam para a UGT.
No entranto, este fim de semana, também a Federação Nacional dos Médicos (FNAM), aprovou em congresso uma moção de adesão à greve geral de 11 de dezmebro contra a precariedade que diz que a nova lei laboral fomenta.
“Via criar vínculos mais precários, desregular horários, aumentar o desgaste de quem já está no limite. Esta flexibilização de que falam é imprevisibilidade, cansaço, impossibilidade de conciliar a vida profisisonal e familiar, e quando se fragiliza quem trabalha no Serviço Nacional de Saúde (SNS), fragiliza-se o próprio SNS”, refere Joana Bordalo e Sá, presidente da FNAM.
A FNAM associa-se às centrais sindicais numa greve geral que não se realiza há 12 anos.
Esta quarta-feira, a UGT tem ainda uma reunião agendada com a ministra da tutela, Maria do Rosário Palma Ramalho, numa última tentativa para fazer recuar a central. Mas para já, a greve geral continua marcada.