Abusos na Igreja Católica

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"Está deprimido. Não é um pedófilo compulsivo": bispo justifica manutenção de padre condenado

"Está deprimido e fez o que não devia", disse o bispo de Santarém, que justifica assim a manutenção do padre António Júlio Santos, condenado a um ano e dois meses por atos sexuais contra menores.

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O bispo de Santarém diz que o padre condenado por abusos sexuais de menores que está no ativo não é um pedófilo compulsivo e só cometeu os crimes por causa de uma depressão.

Em causa está o padre António Júlio Santos, condenado a um ano e dois meses por atos sexuais com menores: duas meninas de 11 e 12 anos. O padre está há um ano e meio à frente da Paróquia de Almoster e Vale de Santarém. Na quarta-feira, a SIC emitiu uma reportagem com o padre.

O bispo da Diocese de Santarém, José Traquina, garante que o padre está a ter acompanhamento psiquiátrico e acredita que não irá repetir os abusos.

"Pelos exames a que foi sujeito [...] e a conclusão foi que se trata de uma depressão. A pessoa está sobre uma depressão e fez o que não devia. Essa depressão não se configura com um pedófilo compulsivo. Não é a mesma coisa"

O bispo garante que a Igreja nunca deixou o padre sozinho e que os fiéis estão confortáveis com a situação.

Quando questionado se houve fiéis que se afastaram por causa da presença do padre, respondeu que nunca recebeu nenhuma queixa.

Mas essa não será a realidade. Muitos fiéis terão se afastado da Igreja depois do caso ser conhecido. A SIC falou com uma mulher que confessou que "nunca mais" foi à missa.

O padre António Júlio Santos esteve afastado quando foram conhecidos os crimes. Mas um ano depois de ter sido condenado, voltou a ser nomeado pela Igreja.