O relatório preliminar que avançou esta segunda-feira com novos dados sobre a investigação ao incidente não aponta conclusões definitivas, nem o GPIAAF consegue dizer ainda se o cabo do Elevador da Glória foi a causa do acidente, mas Moedas já dá como certeza que as causas foram "técnicas e não políticas".
À SIC, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa reeleito há pouco mais de uma semana sublinha que “ao contrário da politização que alguns fizeram durante a campanha", o relatório do GPIAAF "reafirma que a infeliz tragédia do elevador da Glória foi derivada de causas técnicas e não políticas”.
O documento de 35 páginas dá conta de que o “cabo instalado não estava conforme com a especificação da CCFL [Companhia Carris de Ferro de Lisboa] para utilização no Ascensor da Glória”, nem estava “certificado para utilização em instalações para o transporte de pessoas”.
Sobre este cabo constata-se ainda que “não era indicado para ser instalado com destorcedores nas suas extremidades, como é o sistema no Ascensor da Glória (e no Ascensor do Lavra)”.
A Carris também já reagiu ao mesmo afirmando que as "alegadas inconformidades" no cabo ocorreram no "mandato anterior ao do presente Conselho de Administração".
O atual mandato, presidido por Pedro Bogas, foi viabilizado pelo PS em maio de 2022. Os cabos que não estavam em conformidade com o que era recomendado, e que eram diferentes daqueles que eram utilizados até então, entraram em operação a 20 de dezembro de 2022, operando durante 601 dias até 26 de agosto. O segundo, igual ao anterior, entrou em operação no dia 1 de outubro de 2024. Durou 337 dias até ao dia do acidente.
No entanto, o processo de aquisição do mesmo iniciou-se em março de 2022 "quando estavam em curso trabalhos de remotorização do elevador de Santa Justa”. No dia 17 desse mês, a Direção de Manutenção do Modo Eléctrico (DME) da CCFL constatou a inexistência em armazém dos cabos necessários e sinalizou a "necessidade da sua compra urgente à Direção de Logística e Património (DLP) da empresa”.


