Afeganistão: Capital dos Errantes

Um país em guerra

Shamil Zhumatov

Pedro Coelho

Pedro Coelho

Jornalista Grande Reportagem SIC

O Afeganistão é um dos países do globo mais fustigado pela guerra. A NATO ainda mantém no terreno 16 mil militares mas chegaram a ser 130 mil. Portugal participa com 186. Em novembro o grupo foi todo renovado. Assistimos à partida de dois dos três contigentes. Um mês depois, vistámos a família do capitão Carvalho. Veja aqui a Reportagem Especial Afeganistão: a guerra eterna.

A revolução marxista

A revolução marxista de 1978 criou um cenário de tensão no Afeganistão que a passagem do tempo foi tornando norma. A partir de 1979, após a invasão soviética, as forças governamentais, apoiadas pelo regime de Moscovo, fizeram frente aos rebeldes mujahidin, apoiados pelos Estados Unidos da América. Os combates, alimentados pelo espírito da guerra fria entre as duas superpotências, duraram 10 anos.

Entre 1979 e 1989 o número de vítimas mortais terá ultrapassado o milhão, seguramente entre 850 mil e um milhão e meio de mortos.

O conflito haveria de terminar com a vitória dos rebeldes e a retirada das tropas soviéticas. Em 1992, várias fações guerreiras lançaram o país numa guerra civil. A luta pelo poder haveria de durar quatro anos, culminando com a vitória dos talibãs.

AP

À procura de Bin Laden

Em outubro de 2001, na sequência do ataque às Torres Gémeas, os Estados Unidos invadem o Afeganistão, sem mandato da ONU. Os americanos acreditavam que Bin Laden, o líder terrorista que desenhou o 11 de setembro, o pior dia da história da América, estaria escondido no Afeganistão, encoberto pelo regime talibã.

Nessa fase, Bin Laden haveria de escapar, mas o Afeganistão mergulhou, de novo, no caos da guerra.

O terrorista, nascido na Arábia Saudita, conquistara, todavia, um poder que, na base, fora forjado pelas dúbias estratégias da CIA. Osama Bin Laden, o principal inimigo da América, era afinal um produto dos seus serviços secretos. Em maio de 2011, Bin Laden acabaria por ser morto, no Paquistão, por militares americanos.

Jason Reed

Talibãs voltaram a ganhar terreno

A guerra iniciada em 2001 acabou por ter envolvimento da NATO em dezembro desse mesmo ano, em resposta a um mandato do Conselho de Segurança das Nações Unidas. O pico da guerra teve o envolvimento de 130 mil militares da NATO.

A Aliança Atlântica ordenou a retirada do contingente guerreiro em 2014, permanecendo, apenas, uma força de contenção, de 16 mil militares, que pretende dar apoio às forças de segurança afegãs.

A guerra, contudo, não baixa os braços. Grupos terroristas de diversas fações fizeram do Afeganistão um dos países mais perigosos do mundo. Os talibãs voltaram a ganhar terreno, controlando, já, 20 por cento do território nacional.

Patrick de Noirmont

A vida transformou-se numa luta pela sobrevivência

Num país com 34 milhões de habitantes, mais de 2,5 milhões tiveram de abandonar a região onde viviam e procurar abrigo em campos de refugiados de deslocados internos, onde a vida se transformou numa luta pela sobrevivência.

A seguir à Síria, o Afeganistão é o país que produz mais refugiados em todo o mundo. A maior fatia fugiu para o Irão, Paquistão e Turquia. Os que conseguem chegar à Europa dificilmente conseguem passar da Grécia.

Os que passam pelos filtros apertados das políticas de emigração europeias e conseguem alcançar a Alemanha, ou a Noruega, ficam sujeitos às duras políticas de acolhimento desses países. A deportação tem sido a palavra de ordem, que os persegue e condiciona. Regressam, por obrigação, ao país de onde fugiram.

Afeganistão: a guerra eterna

A SIC está a preparar um longo trabalho sobre o Afeganistão, que começa agora com a emissão de uma Reportagem Especial, e que terminará com a exibição de uma Grande Reportagem em abril de 2019.

Até lá, esta página será alimentada com diversos apontamentos que pretendem revelar-nos um dos países mais misteriosos do mundo.

Uma reportagem de Pedro Coelho, José Silva, Tiago Martins e Patrícia Reis.

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