Afeganistão

Governo francês pede aos EUA adiamento do prazo de evacuação no Afeganistão

Ministro dos Assuntos Estrangeiros de França diz que o prazo de 31 de agosto é insuficiente.

O Governo francês pediu aos Estados Unidos um adiamento do prazo de evacuação no Afeganistão.

O ministro dos Assuntos Estrangeiros de França, Jean-Yves Le Drian, diz que o prazo de 31 de agosto é insuficiente e que é preciso mais tempo para retirar as pessoas que querem sair do país.

O governante afirmou que as forças e diplomatas franceses permanecerão no aeroporto de Cabul enquanto este estiver aberto e que podem ficar seguros, porque além da "prioridade" de retirar "alguns franceses" que permanecem no país, a sua "responsabilidade moral" é retirar os "afegãos ameaçados por causa de seus compromissos anteriores".

Le Drian assinalou que o único problema para a retirada das pessoas ameaçadas do Afeganistão é como chegar ao aeroporto de Cabul, uma vez que existe controlo talibã, o que gera uma situação de caos à entrada do aeroporto, onde estão concentradas mais de 10 mil pessoas.

O ministro repete que a França não reconhecerá os talibãs "que tomaram o poder pela força" e que para mudar de posição exige cinco condições: permitir a saída dos afegãos que queiram abandonar o país; renunciar efetivamente ao terrorismo, assumindo uma "rutura total" com a Al-Qaeda; conceder livre acesso à ajuda humanitária; respeitar os direitos fundamentais, e de forma prioritária, das mulheres; e formar um Governo de transição resumem as exigências colocadas pelo Governo francês.

Entre os dias 17 e 22, cerca de 1.200 pessoas foram retiradas pelos militares franceses do Afeganistão.

Talibã não admitem extensão do prazo da retirada militar e dizem que 31 de agosto é a "linha vermelha"

Os talibã exigem que Joe Biden cumpra o prazo anunciado e que as tropas norte-americanas sejam retiradas do Afeganistão até dia 31 de agosto.

Um porta-voz dos talibã disse, esta segunda-feira, que estender além do final de agosto os esforços dos países aliados para retirar pessoas do Afeganistão representa uma "linha vermelha" e provocaria "uma reação".

Desde que os talibã entraram em Cabul, há uma semana, milhares de pessoas reuniram-se perto do aeroporto internacional da capital para tentar sair do país antes de 31 de agosto, data fixada pelo Governo dos Estados Unidos para a retirada final das suas forças no Afeganistão.

Diante do caos da retirada e sob pressão dos aliados, Joe Biden indicou considerar manter os soldados no país além desse prazo, referindo haver "discussões em andamento" sobre o assunto.

Boris Johnson deverá defender esta terça-feira, junto dos Estados Unidos, na cimeira virtual do G7 dedicada ao Afeganistão, uma extensão das operações de retirada em Cabul. Também a França deverá aproveitar a cimeira para pressionar no mesmo sentido.

No aeroporto de Cabul agrava-se a cada dia a situação humanitária das cerca de 6 mil pessoas que ali se encontram, algumas há oito dias, sob um sol escaldante, praticamente sem água e sem comida.

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