Afeganistão

Afeganistão: saúde em colapso, tiros contra mulheres e um inverno que assusta

A Cruz Vermelha Internacional está a pedir 38 milhões de dólares para setor da saúde.

A Cruz Vermelha Internacional está a pedir 38 milhões de dólares para poder continuar a financiar serviços de saúde e a garantir resposta de emergência em 16 províncias afegãs, ao mesmo tempo que se aproxima o inverno e a situação se agrava diariamente e que, em Cabul, os talibã voltaram a dispersar a tiro uma manifestação de mulheres.

Com o país em colapso económico para gerir, os talibã continuam a tentar erradicar liberdades individuais.

Esta sexta-feira, em Cabul, dispersaram a tiro mais um protesto de mulheres que reivindicava direitos.

Com o inverno à porta, escassez de alimentos e serviços de saúde em colapso, a Cruz Vernelha alerta para o que se avizinha.

Ou o novo Governo recomeça a pagar salários a milhões de funcionários e reinicia serviços básicos, ou o Afeganistão vai enfrentar uma grave crise humanitária.

“É preciso haver alguma solução para os fluxos financeiros para o Afeganistão, para garantir que, pelo menos, os salários possam ser pagos e que os mantimentos essenciais de energia e água possam ser adquiridos. A ausência disso agravará, seriamente, a capacidade dos afegãos comuns", diz Alexander Matheou, da Cruz Vermelha Internacional.

A organização está a pedir aos doadores 38 milhões de dólares para poder continuar a financiar serviços de saúde e a garantir resposta de emergência em 16 províncias afegãs.

Nos hospitais tudo falta, incluindo medicamentos básicos como aspirinas ou paracetamol.

Em Cabul, a prioridade do novo Governo prende-se com a retoma das ligações comerciais, que continuam condicionadas, e, por enquanto, a maior parte são voos "charter" a cargo de organizações humanitárias.

"Estamos a trabalhar com as equipas técnicas dos Emirados Árabes Unidos e do Qatar para coordenar com os departamentos relevantes para diminuir os preços dos bilhetes", refere Abdul Hadi Hamadani, do Aeroporto Internacional de Cabul.

À porta do aeroporto, os taxistas são o reflexo de um país estagnado.

Costumávamos dirigir táxis o tempo todo, mas agora dificilmente fazemos três ou quatro viagens por dia (para o aeroporto ou fronteira). Além disso, onde mais podemos gastar os ganhos? Em combustível ou outras necessidades de veículos? Ou devemos comprar comida?", pergunta um taxista.

Até ao final do ano, a esmagadora maioria dos afegãos pode ficar numa situação de fome.

Metade da população depende já de ajuda humanitária para sobreviver.

No país, há 10 milhões de crianças em risco.

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