Assalto em Tancos

Exército quer paióis de Tancos como depósitos mas não tem planos para os reativar

Rafael Marchante

As instalações foram esvaziadas na sequência do furto ocorrido em junho de 2017.

O Exército assumiu a intenção de manter os Paióis Nacionais de Tancos como "infraestruturas de depósito" mas ainda não decidiu se vai reativar as instalações, esvaziadas na sequência do furto ocorrido em junho de 2017.

"O Exército continua a garantir a manutenção e a vigilância das instalações dos Paióis de Nacionais de Tancos, as quais não podem deixar de ser tidas em consideração como infraestruturas de depósito do Exército", respondeu a porta-voz do ramo a perguntas da Lusa sobre o futuro daquelas instalações.

Admitindo que continua a contar com os paióis de Tancos como "infraestruturas de depósito", o Exército ainda "está a analisar" o que irá fazer às instalações, que o anterior chefe do Estado-Maior do Exército, general Rovisco Duarte, admitia converter num "campo militar".

A opção de abandonar os investimentos nos Paióis Nacionais de Tancos (PNT) para os concentrar no reforço da segurança dos paióis e das instalações do campo de Santa Margarida foi anunciada pelo Exército a 20 de julho de 2017, menos de um mês depois do furto de material de guerra.

Os paióis de Tancos foram desativados e o material foi transferido para os paióis de Santa Margarida e da Marinha e da Força Aérea. Na altura, general Rovisco Duarte, disse que estava em estudo uma proposta para reconverter os paióis de Tancos num campo militar.

"Quando surge este incidente [furto de material de guerra], percebeu-se que não fazia sentido manter Tancos", declarou Rovisco Duarte numa conferência de imprensa em outubro de 2017, no final da operação de esvaziamento dos paióis.

O futuro das instalações dos paióis de Tancos tem sido abordado nas audições da comissão de inquérito sobre o furto de material de guerra, com alguns militares a defender que aquela infraestrutura de armazenamento continua a ser necessária.

Na semana passada, o coronel Amorim Ribeiro, colocado na Inspeção-Geral do Exército, advertiu que os paióis do Exército estão "no limite das suas capacidades" e manifestou-se contra o encerramento da infraestrutura de Tancos.

"Sei que é uma infraestrutura que não pode ser abandonada e desativada, pelo contrário, porque nós, neste momento, precisamos de espaço para ter as munições", declarou o coronel Amorim Ribeiro. Quarta-feira passada, o ex-Chefe do Estado-Maior do Exército general Carlos Jerónimo defendeu que o ramo deve manter os paióis nacionais de Tancos como instalações de armazenamento de material e que os paióis de Santa Margarida não têm espaço suficiente.

Os PNT foram construídos entre 1986 e 1987 como infraestrutura de armazenamento de munições e artifícios de fogo, integrando 18 paióis, numa área de 40 hectares e um perímetro de cerca de 2700 metros.

Lusa

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