Eleições Autárquicas

José Luís Carneiro acusa Luís Montenegro de "desumanidade" e de ignorar aumento do número de barracas

José Luís Carneiro acusa Luís Montenegro de desumanidade na questão das barracas e lembra ao primeiro-ministro que muitas delas têm crescido em terrenos do Estado, sem que o Governo faça alguma coisa.

O secretário-geral do Partido Socialista (PS), José Luis Carneiro, discursa durante o comício de apresentação do candidato do partido, Paulo Arsénio, à Câmara Municipal de Beja, no âmbito da campanha para as eleições autárquicas, Beja, 29 de setembro de 2025.
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O líder do PS acusou, esta terça-feira, o primeiro-ministro de "grande desumanidade" nas declarações sobre o maior ressurgimento de barracas em autarquias socialistas e comunistas, questionando se sabe que estas estão a nascer maioritariamente dentro dos terrenos do Estado.

"Entendi ser uma declaração, como aliás já é costume, de uma grande desumanidade, porque o doutor Luís Montenegro devia saber que as pessoas que saíram de Lisboa, muitas delas por falta de resposta habitacional, por falta de condições de vida, aumentou o número de sem abrigo e muitos procuraram nas periferias de Lisboa a resposta, que é uma resposta com muita indignidade", respondeu José Luís Carneiro aos jornalistas no final da primeira ação de campanha no dia, em Faro.

Na opinião do secretário-geral do PS, esta situação deveria "interpelar o primeiro-ministro do país para responder aos cidadãos sobre aquilo que está a fazer para responder à habitação".

"Já agora faço uma pergunta que gostava que o doutor Luís Montenegro pudesse responder: o doutor Luís Montenegro, por acaso, tem consciência de que uma parte onde mais barracas estão a nascer é dentro dos terrenos do Estado e do Instituto de Habitação", questionou.

Segundo Carneiro, se o primeiro-ministro não tem conhecimento desta situação "deve visitar e deve perguntar" o que está o Ministério das Infraestruturas "a fazer para responder a um problema grave do ponto de vista social".

Ainda sobre habitação, o líder do PS voltou a criticar que o Governo considere que "uma renda de 2.300 euros é uma renda moderada", apontando o estudo que "mostra que só uma pequenina percentagem da população portuguesa tem rendimentos que se enquadram na resposta que o Governo está a dar".

"A resposta que o Governo está a dar é uma resposta boa para a especulação. E para esse efeito, o que vai acontecer é que vamos conhecer uma subida dos custos de habitação, que vai continuar a subir em espiral, como já aconteceu", avisou.

Carneiro questiona valor da renda moderada do Governo

Questionado sobre se já tinha conseguido perceber como é que o executivo tinha chegado a este valor de renda moderada, Carneiro respondeu que não.

"Também verifiquei o exercício da acrobacia que fez o ministro das Infraestruturas, e nesse exercício da acrobacia não conseguiu responder às perguntas que lhe foram formuladas, aliás por um jornalista reputado, que lhe fez várias perguntas de onde é que foram buscar esse valor da renda moderada de 2.300 euros", criticou.

Pelas contas do PS, para se alcançar o esforço dos 40% que fala Miguel Pinto Luz "tem que se ganhar na casa dos 7.000 a 8.000 euros para conseguir responder a essa renda moderada".

"Ora, quem ganha 7.000 a 8.000 euros ganha simplesmente mais do que ganha o próprio primeiro-ministro de Portugal", disse.

O líder do PSD afirmou no mesmo dia que as barracas e bairros de lata têm ressurgido sobretudo em autarquias socialistas e comunistas, defendendo que os presidentes de câmara sociais-democratas "não ficam a olhar" para este problema.

- Com Lusa