Martim Silva

Subdiretor de informação da SIC

Eleições Autárquicas

Opinião

O dia em que todos ganham

No próximo domingo, salvo uma enorme surpresa, as eleições em 308 concelhos e mais de três mil freguesias vão permitir que os partidos cantem todos vitória.

O dia em que todos ganham
Horacio Villalobos

Dentro de menos de uma semana, na noite do próximo domingo, 12 de outubro, serão conhecidos os resultados das eleições autárquicas. Não estando excluída uma grande surpresa ou cataclismo, o voto é soberano e secreto e até governos já caíram na sequências de eleições locais, é muito possível que destas eleições surjam muitos a cantar vitória.

Estranho? Nem tanto.

Claro que a CDU de Paulo Raimundo, mesmo diminuindo o número de presidentes de câmara, atualmente são 19, e mesmo perdendo Évora e Setúbal, as duas capitais de distrito que ainda lhe restam, vai reclamar vitória, como faz de eleição em eleição, mesmo que os resultados demonstrem sempre o oposto.

Mas na noite de dia 12 é bem possível que essa cassete comunista seja adotada por muitos.

O PS, mesmo perdendo presidências de câmara face a 2021 e mantendo-se afastado da presidência da esmagadora maioria das capitais de distrito, deverá aguentar a presidência da Associação Nacional de Municípios. Uma vitória, vai dizer Carneiro. E uma golfada de ar para os socialistas, muito penalizados nos últimos anos (há dois anos tinham maioria absoluta no país e agora são apenas o terceiro partido nacional).

O PSD não vai ser o partido com mais autarquias no país mas vai subir no número de presidências de câmara, diminuindo distâncias face ao PS e vai manter-se maioritário em matéria de capitais de distrito e grandes centros urbanos. Montenegro vai cantar vitória e dizer que tem a confiança reforçada para continuar a governar.

André Ventura vai aproveitar para desfiar números e lembrar como em 2021 o Chega só tinha 19 vereadores eleitos em todo o país e em como não tinha nenhum presidente de câmara eleito, ao contrário de agora. Mas não vai lembrar a fasquia não atingida de conseguir 30 autarquias. Nem vai lembrar como falhou a conquista de cidades como Faro, Setúbal e Sintra. Nem vai lembrar que nas Legislativas de há poucos meses o seu partido ganhou em 60 câmaras mas agora só saiu vencedor numa mão cheia delas.

Nuno Melo vai ver o seu CDS perder algumas das poucas autarquias a que ainda preside, centradas na região de Aveiro. Mas a presença em muitas coligações com o PSD por todo o país vai fazer com que o ministro da Defesa cante vitória nestas autárquicas e diga que os democrata-cristãos estão a crescer.

O Bloco de Esquerda vai continuar a não existir nestas eleições autárquicas mas Mariana Mortágua vai continuar cantar vitória pelos resultados da flotilha regressada de Israel.