Dentro de menos de uma semana, na noite do próximo domingo, 12 de outubro, serão conhecidos os resultados das eleições autárquicas. Não estando excluída uma grande surpresa ou cataclismo, o voto é soberano e secreto e até governos já caíram na sequências de eleições locais, é muito possível que destas eleições surjam muitos a cantar vitória.
Estranho? Nem tanto.
Claro que a CDU de Paulo Raimundo, mesmo diminuindo o número de presidentes de câmara, atualmente são 19, e mesmo perdendo Évora e Setúbal, as duas capitais de distrito que ainda lhe restam, vai reclamar vitória, como faz de eleição em eleição, mesmo que os resultados demonstrem sempre o oposto.
Mas na noite de dia 12 é bem possível que essa cassete comunista seja adotada por muitos.
O PS, mesmo perdendo presidências de câmara face a 2021 e mantendo-se afastado da presidência da esmagadora maioria das capitais de distrito, deverá aguentar a presidência da Associação Nacional de Municípios. Uma vitória, vai dizer Carneiro. E uma golfada de ar para os socialistas, muito penalizados nos últimos anos (há dois anos tinham maioria absoluta no país e agora são apenas o terceiro partido nacional).
O PSD não vai ser o partido com mais autarquias no país mas vai subir no número de presidências de câmara, diminuindo distâncias face ao PS e vai manter-se maioritário em matéria de capitais de distrito e grandes centros urbanos. Montenegro vai cantar vitória e dizer que tem a confiança reforçada para continuar a governar.
André Ventura vai aproveitar para desfiar números e lembrar como em 2021 o Chega só tinha 19 vereadores eleitos em todo o país e em como não tinha nenhum presidente de câmara eleito, ao contrário de agora. Mas não vai lembrar a fasquia não atingida de conseguir 30 autarquias. Nem vai lembrar como falhou a conquista de cidades como Faro, Setúbal e Sintra. Nem vai lembrar que nas Legislativas de há poucos meses o seu partido ganhou em 60 câmaras mas agora só saiu vencedor numa mão cheia delas.
Nuno Melo vai ver o seu CDS perder algumas das poucas autarquias a que ainda preside, centradas na região de Aveiro. Mas a presença em muitas coligações com o PSD por todo o país vai fazer com que o ministro da Defesa cante vitória nestas autárquicas e diga que os democrata-cristãos estão a crescer.
O Bloco de Esquerda vai continuar a não existir nestas eleições autárquicas mas Mariana Mortágua vai continuar cantar vitória pelos resultados da flotilha regressada de Israel.

