Brexit

Ministro britânico visita Irlanda do Norte após nova noite de protestos em Belfast

Mark Marlow

A violência aumentou devido a tensões crescentes sobre as regras comerciais pós-Brexit para a Irlanda do Norte.

O ministro britânico para a Irlanda do Norte, Brandon Lewis, planeia hoje conversar com líderes políticos e religiosos da Irlanda do Norte, após outra noite de protestos no território norte-irlandês, no âmbito de tensões internas sobre o Brexit.

Depois de chegar à província britânica na quinta-feira, Lewis disse que nos próximos dias tentará "facilitar um debate construtivo sobre a melhor resolução" do conflito, que ameaça espalhar-se entre os unionistas-protestantes (leais ao Reino Unido) e comunidades republicanas católicas (partidários pela unificação com a Irlanda), que já travaram uma guerra paramilitar no passado.

Políticos da Irlanda do Norte condenaram hoje a violência registada em mais de sete dias de agitação, inicialmente instigada em áreas protestantes e com a participação de grupos paramilitares.

Na noite de quinta-feira, a polícia respondeu com canhões de água (proibidos no resto do Reino Unido) a uma multidão de jovens, neste caso aparentemente do lado republicano, que atiravam pedras e fogo de artifício no oeste de Belfast.

Na quinta-feira, o Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, juntou-se aos apelos por calma lançados pelo primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, e pelo seu homólogo irlandês, Micheál Martin, que são os países envolvidos no processo de paz de 1998, que encerrou décadas de conflito armado na Irlanda do Norte.

Os distúrbios espalharam-se até ocorrerem nas ruas limítrofes entre bairros protestantes e católicos, causando preocupação política com uma possível escalada dos confrontos.

"Todas as comunidades na Irlanda do Norte devem trabalhar juntas para resolver as tensões que enfrentamos atualmente", disse Brandon Lewis, num comunicado publicado na quinta-feira.

"O povo da Irlanda do Norte merece muito melhor do que a continuação da violência e da desordem que testemunhamos nos últimos dias. Sei, pelo meu contacto constante com líderes partidários, que esta é uma visão compartilhada por todos. A única maneira de resolver as diferenças é através do diálogo e, nesse sentido, todos devemos dar o exemplo", acrescentou.

Para Lewis, "os envolvidos nesta destruição e desordem não representam a Irlanda do Norte".

Tensões crescentes sobre as regras comerciais pós-Brexit para a Irlanda do Norte

A violência recente, em grande parte em áreas pró-Reino Unido, aumentou devido a tensões crescentes sobre as regras comerciais pós-Brexit para a Irlanda do Norte e piorou as relações entre os partidos no Governo de Belfast, compartilhado entre católicos e protestantes.

As autoridades acusaram grupos paramilitares ilegais de incitar os jovens a causar confusão.

O novo acordo comercial entre Londres e o bloco comunitário, no âmbito do 'Brexit', impôs controlos aduaneiros e fronteiriços a algumas mercadorias que circulam entre a Irlanda do Norte e o resto do Reino Unido.

O acordo foi elaborado para evitar controlos entre a Irlanda do Norte e a Irlanda, um membro da UE, uma vez que uma fronteira irlandesa aberta ajudou a sustentar o processo de paz construído pelo Acordo de Sexta-Feira Santa em 1998, que terminou na altura com três décadas de violência que provocaram mais de 3.000 mortes.

Mas, os unionistas têm argumentado que estes novos controlos equivalem a uma nova fronteira no mar da Irlanda entre a Irlanda do Norte e o resto do Reino Unido, defendendo o abandono do acordo.

Os unionistas também estão revoltados com a decisão das autoridades policiais de não processarem os políticos do Sinn Féin que marcaram presença no funeral de um ex-comandante do exército republicano irlandês em junho passado.

O funeral de Bobby Storey atraiu uma grande multidão, apesar das medidas restritivas aplicadas no âmbito da pandemia do novo coronavírus e que proibiam grandes aglomerações de pessoas.

Os principais partidos unionistas exigiram a demissão do chefe da polícia da Irlanda do Norte por causa da controvérsia, argumentando que o responsável tinha perdido a confiança da comunidade.