Caso Maddie

Irlandesa violada no Algarve acredita que culpado é o novo suspeito no caso Maddie

A mulher revelou pormenores do seu ataque às polícias britânica e alemã.

Uma mulher irlandesa pediu aos detetives que estão a investigar o desaparecimento de Madeleine McCann para olharem verificarem a sua queixa de violação, depois de verificar que o suspeito alemão do rapto da menina britânica foi condenado por um caso de abuso sexual semelhante ao seu.

O testemunho de Hazel Behan foi publicado pelo jornal britânico The Guardian esta terça-feira, mas o caso remonta a 2004, quando trabalhava na Praia da Rocha, no Algarve. Foi violada no seu apartamento por um homem que acredita agora ser Christian Brückner, o alemão ligado ao caso Maddie, condenado pela violação de uma turista de 72 anos na Praia da Luz em 2005.

“Fiquei chocada quando li que ele tinha atacado uma mulher em 2005, tanto as táticas como os métodos que utilizou, os objetos que tinha consigo e a forma como planeou tudo”.

O ataque

"Deitei-me por volta da uma da manhã e fui acordada por alguém a chamar-me. Virei-me e vi um homem com uma máscara e um machete de 30 centímetros na mão”, contou.

O homem, que falava em inglês com um sotaque alemão, media cerca de 1,85 metros, tinha sobrancelhas loiras e olhos azuis e uma marca na coxa direita.

O atacante tirou os sapatos à entrada do apartamento e colocou uma câmara de vídeo a gravar. Depois, arrastou Hazel até à sala e amarrou-a. Cortou-lhe as roupas com uma tesoura e colocou-lhe um pano na boca para que não gritasse durante a violação.

“Pareceu-me que ele tinha tudo planeado, foi tudo deliberado. Limpava as mãos constantemente e trocou de preservativo várias vezes. O ataque durou cerca de quatro ou cinco horas”.

“No fim ordenou-me que fosse para a casa de banho. Estava convencida de que me ia matar (…).”

Nas semanas que anteciparam o ataque, Hazel notou que alguém tinha estado no seu apartamento. Faltava dinheiro e havia objetos fora do sítio. Na altura achava que estava a ser “paranoica”, mas agora acredita que o atacante a andava a seguir.

“Disseram-me que devia ficar calada”

Depois do atacante fugir do apartamento na Praia da Rocha, Hazel chamou a polícia na receção do resort. As autoridades tiraram-lhe fotografias e foi transportada para o hospital, onde foi examinada por um ginecologista.

“Nos últimos 16 anos nunca tive esperança que encontrassem o homem que me fez isto. Na altura disseram-me que devia ficar calada, que se falasse sobre o que tinha acontecido iria ser responsável pela má publicidade ao resort e afastar os turistas”, revelou.

Foi só quando leu sobre a violação da turista de 72 anos na Praia da Luz em 2005 que decidiu falar.

“Penso que se a polícia tivesse investigado o que me aconteceu, e realmente se tratasse do mesmo homem que raptou Madeleine McCann, o rapto poderia ter sido evitado e Madeleine estaria agora em casa com os pais”.

As autoridades alemãs e britânicas identificaram Christian Brückner como suspeito formal no desaparecimento de Madeleine McCann. Entretanto, a mulher irlandesa já foi ouvida pela Metropolitan Police, com a garantia de que a polícia portuguesa iria ser contactada.

“Foi a primeira vez em 16 anos que me ofereceram alguma ajuda. Vivo na esperança de finalmente ter alguma resolução para um capítulo muito difícil da minha vida. Falar sobre isto é complicado, mas sinto que é a coisa certa a fazer”.