Ciclone Idai

Número de mortos em Moçambique sobe para 417

Philimon Bulawayo

O número de mortos confirmados na sequência da passagem do ciclone Idai em Moçambique subiu este sábado para 417, segundo os dados divulgados pelo ministro do Ambiente moçambicano.

As equipas de socorro têm tido muitas dificuldades em chegar às comunidades mais isoladas e, por isso, o maior desafio tem sido fazer com que os bens essenciais, como água e comida, cheguem a quem precisa.

Ainda este sábado um avião com apoio português chegou à cidade da Beira. O segundo avião da Força Aérea Portuguesa transportou uma equipa avançada de peritos da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), elementos da Força Especial de Bombeiros, da Guarda Nacional Republicana (GIPS e binómios de busca e socorro), do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e da EDP.

As autoridades esperam também que a cidade da Beira volte hoje a ter água. Pedro Matos, coordenador de emergência do Programa Alimentar Mundial, explicou que na noite de quinta feira foram ligados os geradores que permitem o funcionamento da estação de tratamento de águas, que os tanques de água estiveram "toda a noite a encher", e que no sábado vai começar a ser "bombeada água para as pessoas".

Segundo o responsável a eletricidade vai demorar mais tempo a ser reposta, porque há muitos cabos de eletricidade pelo chão, ainda que a energia de média tensão para hospitais e indústria possa ser ligada ainda "esta semana".

Mais de três milhões de afetados e apoio é insuficiente

O número de pessoas afetadas pelo ciclone Idai poderá ultrapassar os três milhões e os recursos necessários para a assistência humanitária são ainda muito insuficientes, referiu este sábado Graça Machel, presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade.

"Posso arriscar: temos muito acima de três milhões de pessoas afetadas e todo o apoio ainda é insuficiente", disse hoje a antiga primeira dama de Moçambique, em conferência de imprensa, em Maputo.

"O Governo e as Nações Unidas fizeram um apelo muito por baixo", considerou, referindo que cerca de 30 milhões de dólares "servirá só para pôr a bola a rolar. Não se tinha uma avaliação completa da escala e magnitude do problemas".

Graça Machel deixou um alerta: "o mundo que se prepare" para números maiores.

"Há-de ser necessário, com números mais precisos, fazer um outro apelo e provavelmente um terceiro", acrescentou.

Graça Machel falava em conferência de imprensa ao lado de Henrietta Fore, diretora executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), que fez uma visita à região afetada na sexta-feira.

Henrietta Forre referiu que há muitas crianças separadas da suas famílias e vão ser necessários orfanatos e outras instituições para lhes dar apoio.

A diretora executiva do UNICEF disse ainda estar impressionada pela maneira como Portugal está a impulsionar a solidariedade a favor das vítimas do ciclone Idai.

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