Cimeira do Clima

Belém do Pará prepara-se para receber a COP30 entre desafios logísticos e esperanças verdes

Enquanto Belém do Pará se prepara para receber cerca de 45 mil participantes da COP30, o mundo mostra sinais de fadiga na agenda climática: os Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, recuam nos compromissos ambientais, e na Europa a crise económica está a relegar o clima para segundo plano.

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A cidade de Belém, no norte do Brasil, vai acolher, entre 10 e 21 de novembro, a 30.ª Conferência das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (COP30). O país anfitrião quer fazer da cimeira um símbolo da importância da Amazónia na luta contra o aquecimento global - mas enfrenta sérios desafios logísticos e uma conjuntura internacional menos favorável à ação climática.

Belém, capital do estado do Pará, situa-se na foz do rio Amazonas e tem uma população de cerca de 2,1 milhões de habitantes. Fundada no século XVII, é uma das portas de entrada para a maior floresta tropical do planeta e um importante centro cultural e económico da região Norte do Brasil.

O Brasil escolheu Belém como palco da COP30 para sublinhar o papel crucial da Amazónia na absorção do dióxido de carbono e na regulação do clima global. A escolha também reflete o desejo do presidente Lula da Silva de reforçar a imagem internacional do país como protagonista da defesa ambiental, depois de anos de desflorestação acelerada durante o governo anterior.

Uma cidade em obras para receber o mundo

A expectativa é que a conferência atraia cerca de 45 mil delegados, cientistas, jornalistas e ativistas. O número é muito superior à capacidade atual da cidade, que conta com cerca de 18 mil camas hoteleiras.

Para fazer face ao défice, o governo brasileiro e as autoridades locais estão a trabalhar em soluções alternativas: navios de cruzeiro atracados no porto, motéis convertidos em alojamentos temporários e até igrejas transformadas em dormitórios. Estão igualmente em curso obras de requalificação de infraestruturas, estradas e redes de saneamento.

Apesar das dificuldades, o Brasil aposta que a localização de Belém, na orla da floresta tropical, traga um novo foco à cimeira: o da proteção dos ecossistemas essenciais à sobrevivência do planeta.

Um contexto global de prioridades em mudança

A COP30 decorre num momento delicado para a diplomacia climática. Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump tenta reverter políticas ambientais adotadas por administrações anteriores, incluindo a reentrada no Acordo de Paris decidida por Joe Biden.

Na Europa, a desaceleração económica e os custos da transição energética têm levado vários governos a abrandar metas e reduzir investimentos verdes

Alguns países ponderam mesmo não enviar representantes de alto nível, como manifestou a Áustria, sinal de que o clima pode estar a perder centralidade na agenda política global.

Os pequenos Estados insulares - que enfrentam diretamente o aumento do nível do mar - admitem diminuir o tamanho das suas delegações por falta de recursos.

A Amazónia como símbolo e desafio

O governo brasileiro quer usar a COP30 para recentrar o debate global na preservação da Amazónia, que continua sob pressão da mineração ilegal, da expansão agrícola e dos incêndios florestais.

Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a desflorestação na Amazónia caiu 11,08% num ano, mas os especialistas alertam que as metas de neutralidade carbónica exigem uma redução muito mais profunda.

Belém poderá ser, assim, o palco onde o Brasil tentará provar que é possível combinar desenvolvimento económico com proteção ambiental.