Coronavírus

Líder de seita cristã sul-coreana pede desculpas por casos de coronavírus

JEON HEON-KYUN

Shincheonji é considerada como o principal foco da propagação do coronavírus na Coreia do Sul, onde 26 pessoas morreram com a infeção.

Especial Coronavírus

O fundador da seita cristã Shincheonji, considerada como o principal foco da propagação do novo coronavírus na Coreia do Sul, pediu esta segunda-feira desculpas e salientou o seu compromisso de cooperar com as autoridades.

"Como representante dos fiéis de Shincheonji peço sinceras desculpas ao público", indicou o fundador da seita, Lee Man-hee, depois de se ajoelhar diante dos jornalistas em conferência de imprensa convocada pelo grupo religioso em Gapyeong, cerca de 50 quilómetros a nordeste de Seul, capital sul-coreana.

"Não era nossa intenção e ainda assim muitas pessoas foram infetadas", disse Man-hee durante o ato, enquanto grupos gritavam palavras de ordem em protesto contra o culto, que acusam de ter capturado os seus familiares e forçado a cortar todos os tipos de laços pessoais fora da seita.

Várias pessoas concentradas na entrada deste complexo que Shincheonji tem em Gapyeong também exigiram responsabilidades do grupo por serem o foco principal de propagação do novo coronavírus na Coreia do Sul - onde há registo de 4.335 infeções e 26 mortes - e por alegadamente não colaborar com as autoridades.

"Faremos o possível, oferecendo todos os nossos recursos, para apoiar as medidas do Governo para controlar a epidemia", acrescentou Lee, que aparentemente deu resultado negativo, após a realização do teste de despistagem do novo coronavírus, de acordo com a Shincheonji.

A conferência de imprensa ocorre depois dos Governos municipais de Seul e Daegu (230 quilómetros a sudeste da capital sul-coreana), onde fica uma sede de Shincheonji que as autoridades consideram o principal foco de propagação do vírus no país, denunciarem o grupo por impedir o trabalho das autoridades.

Daegu e os seus arredores representam agora 88% de todos os casos nacionais e forçaram o Governo sul-coreano a ativar medidas especiais na região para evitar o colapso sanitário.

Na sede de Daegu, cidade onde vivem 2,4 milhões de habitantes, várias missas foram realizadas no início de fevereiro, nas quais participou uma seguidora de 61 anos, que se acredita ter agido como um agente "super contagioso" e foi capaz de infetar dezenas de pessoas.

Desde que essa mulher deu resultado positivo no teste do coronavírus em 18 de fevereiro, o número de pessoas infetadas multiplicou-se por 144 na Coreia do Sul, o segundo lugar mais afetado pelo vírus depois da China, local de origem do coronavírus.

A seita religiosa foi acusada de não cooperar para fornecer rapidamente às autoridades uma lista de todos os seus fiéis para serem colocados em quarentena e submetidos a testes.

O Governo obteve 310.000 nomes no total e realizou testes a mais de 293.000, enquanto cerca de 4.000 desses membros ainda não foram localizados.

Os números do coronavírus

A Coreia do Sul reportou esta segunda-feira 599 novos casos de coronavírus e oito novas mortes, totalizando 4.335 infeções e 26 mortes causadas pelo patógeno.

O surto de Covid-19, detetado em dezembro, na China, e que pode causar infeções respiratórias como pneumonia, provocou pelo menos 3.046 mortos e infetou mais de 84 mil pessoas, de acordo com dados reportados por 57 países e territórios.

Das pessoas infetadas, mais de 36 mil recuperaram.

Além de 2.835 mortos na China, há registo de vítimas mortais no Irão, Coreia do Sul, Itália, Japão, Filipinas, França, Hong Kong e Taiwan.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou o surto de Covid-19 como uma emergência de saúde pública internacional e aumentou o risco para "muito elevado".

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