Coronavírus

Bolsonaro contraria recomendações e tira selfies no meio de multidão

Adriano Machado

Casos do novo coronavírus no Brasil têm aumentado.

Especial Coronavírus

O Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, contrariou este domingo as recomendações indicadas pelo seu próprio Governo, de evitar aglomerações de pessoas devido ao novo coronavírus, e juntou-se a dezenas de apoiantes, cumprimentando-os e tirando 'selfies' no meio da multidão.

Apesar das polémicas manifestações convocadas por movimentos de direita em defesa do Governo e contra o Congresso brasileiro, agendadas para hoje terem sido canceladas pela maioria dos organizadores, e terem sido desaconselhadas pelo próprio chefe de Estado, milhares de pessoas saíram às ruas em várias cidades do Brasil.

Ao início da tarde de hoje, Jair Bolsonaro deixou o Palácio da Alvorada, a sua residência oficial em Brasília, e, de carro, dirigiu-se à Esplanada dos Ministérios, onde decorriam as manifestações, sem sair do veículo.

Posteriormente, dirigiu-se ao Palácio do Planalto, local de trabalho da Presidência do Brasil, onde decidiu romper a barreira de segurança e cumprimentar e tirar fotografias com centenas de apoiantes que o esperavam.

"Não tem preço o que esse povo está fazendo", declarou Bolsonaro, numa transmissão de vídeo em direto no seu Facebook, enquanto os brasileiros o aplaudiam e chamavam de "mito".

Adriano Machado

Populares que estavam no local criticaram ainda o presidente da Câmara dos Deputados do Brasil, Rodrigo Maia, gritando "fora Maia". A tensão entre o Congresso brasileiro e o Governo aumentou nas últimas semanas devido à dificuldade no alcance de um acordo sobre a divisão de verbas dentro do chamado Orçamento impositivo, o que levou movimentos a favor do executivo a convocarem os protestos.

O novo coronavírus no Brasil

Contudo, com o aumento de casos do novo coronavírus no país, os organizadores das manifestações emitiram comunicados a cancelar os protestos de hoje, assim como Jair Bolsonaro, que apelou a que os atos fossem "repensados".

Segundo dados do Ministério da Saúde do Brasil, divulgados no sábado, o país tem 121 casos de Covid-19 confirmados, sendo que a pasta monitoriza ainda 1.496 casos suspeitos.

Porém, o aumento do número de infetados não foi suficiente para dissuadir os apoiantes do Governo de saírem às ruas, mesmo com as recomendações que o executivo emitiu na sexta-feira, de evitar aglomerações de pessoas e de cancelamento de "grandes eventos", sejam eles governamentais, desportivos, políticos, comerciais, religiosos, entre outros.

"O objetivo não é impedir, é reduzir a velocidade de transmissão do vírus, para que o sistema de saúde consiga manter-se ativo", afirmou na sexta-feira o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Oliveira.

Também o Presidente da República teve recomendações de permanecer em isolamento, após ter sido submetido, na quinta-feira, a um exame para deteção do novo coronavírus, que testou negativo.

Jair Bolsonaro deverá ainda ser submetido a mais um exame ao coronavírus, segundo confirmou à imprensa local o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

O mandatário, e membros do seu Governo que viajaram no passado fim de semana para os Estados Unidos da América (EUA), foram submetidos a exames ao Covid-19, após o secretário especial de comunicação da Presidência, Fábio Wajngarten, testar positivo.

Também um diplomata e um senador que acompanharam o Presidente do Brasil na sua recente viagem aos EUA, testaram positivo para o novo coronavírus, informaram fontes oficiais brasileiras esta sexta-feira.