Coronavírus

Por estes dias #dia 2

O Presidente está de volta ao palácio

Especial Coronavírus

Pela primeira vez na vida, Marcelo chumbou duas vezes no mesmo exame.

O Presidente teve dupla negativa nos testes do coronavírus e, portanto, está livre para sair do isolamento voluntário em Cascais e voltar ao palácio.

Quando o Presidente está no palácio, há um pavilhão presidencial que o anuncia. A bandeira sobe ao mastro, mas tem de ser retirada até ao por do sol, ainda que Marcelo fique em Belém até altas horas.

Do palácio, amanhã, Marcelo vai reunir o Conselho de Estado, via eletrónica, e ouvir antigos presidentes, gente escolhida por ele e outros membros designados pela Assembleia da República.

São estas pessoas que representam a elite que vão aconselhar o Presidente, se deve ou não decretar o Estado de emergência.

O Governo já disse que «não se opõe», o que não é exatamente o mesmo que estar de acordo; a Assembleia da República tem de se pronunciar, mas já percebemos pelas declarações do seu Presidente, segunda figura do Estado, que a coisa se encaminha para que sim, para que amanhã depois do pôr do sol Marcelo fale ao País e diga que estamos em Estado de emergência.

Para situações excecionais, medidas excecionais, dirá o comunicado.

Não estou no Conselho de Estado.

Mas, se estivesse, diria ao Presidente que não se emenda um erro com outro erro.

O facto de Marcelo ter sido ligeiro no início da crise e ter desafiado as autoridades de saúde e continuado a distrubuir afetos, abraços e beijos, o que o levou a ter de ficar, depois, em casa, não deve, agora, impeli-lo a decretar uma paralisação geral do País, com forças de segurança e tropa nas ruas.

Até agora, salvo raras e honrosas exceções, os cidadãos têm-se comportando com decência, civismo, cautela e responsabilidade.

Até agora, o País está a funcionar, quem tem de ficar em casa está em casa, quem tem de garantir os mínimos para que o País funcione está a fazê-lo.

Até hoje, e desde sexta-feira, nada se alterou que, a meu ver, justifique que se quebre essa confiança entre eleitos e eleitores, entre governantes e governados, entre elites e sociedade.

E se, como nos dizem, o pico do bicho ainda está por chegar e, na melhor das hipóteses, viveremos neste estado de alerta até Maio... faltam mais de 70 dias.

Decretar a emergência já é esgotar, como disse, e bem, António Costa, as munições todas logo ao início da batalha.

E depois?

Senhor Presidente, bem vindo de volta ao palácio.

Use, com sabedoria, os poderes que lhe demos.

(Pedro Cruz escreve de casa, onde estará nos próximos dias)

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