Coronavírus

Bolsa de Lisboa afunda para o valor mais baixo de sempre

Michael Probst

Instabilidade e volatilidade dos mercados deverá continuar nas próximas semanas.

Especial Coronavírus

Com o país prestes a entrar em Estado de Emergência, a bolsa de Lisboa afundou hoje para o valor mais baixo de sempre.

A bolsa de Lisboa voltou hoje a encerrar em terreno negativo, após o alívio registado na sessão anterior, com o índice PSI20 a perder 5,03% para 3.641,80 pontos, acompanhando as descidas na Europa.

A Ibersol liderou as descidas e recuou 14,16% para quatro euros. Nas maiores descidas fecharam a Altri (10,05% para 2,88 euros), a Semapa (9,19% para 7,31 euros), a EDP (8,65% para 3,31 euros) e a EDP Renováveis (8,56% para 9,29 euros). Os CTT recuaram 4,47% para 1,97 euros, o BCP cedeu 4% para 0,10 euros, a Galp baixou 3,72% para 8,50 euros e a Jerónimo Martins perdeu 2,81% para 15,03 euros. A NOS registou a descida mais ligeira (0,14% para 2,83 euros).

As principais bolsas europeias fecharam todas em queda.

Paris desceu 5,94%, Frankfurt 5,56%, Londres 3,74%, Madrid 3,44% e Milão recuou 1,27%, com os mercados a mostrarem algum ceticismo depois das medidas anunciadas por vários governos para travar os efeitos económicos do coronavírus.


O novo coronavírus está a penalizar fortemente os mercados financeiros e a atirar as bolsas para os valores mais baixos de dezenas de anos.

A instabilidade e volatilidade dos mercados deverá continuar nas próximas semanas, com os investidores a alternarem entre o pessimismo à medida que se vão divulgando novos casos de contágio pelo mundo e o otimismo com anúncios de medidas expansionistas.

Para o analista e presidente da DFI Broker, Pedro Lino, as bolsas irão continuar voláteis nos próximos dois meses, à medida que são conhecidos os efeitos desta pandemia nos resultados das empresas.

"Iremos assistir a um rebalanceamento dos índices com o setor da banca, turismo, aviação e construtores de automóveis a perderem peso para as farmacêuticas, distribuição e 'utilities'", refere.

O analista afirma que os investidores, com visão de longo prazo, estão nesta altura a ter oportunidade "de entrar a desconto em empresas com elevada capacidade de gerar resultados, e cujo balanço é sólido o suficiente para ultrapassar esta fase de crise".

"Existem agora oportunidades de investimento que são raras no mercado", sinaliza Pedro Lino.

A principal consequência desta pandemia é um forte abrandamento da economia, com provavelmente uma recessão no primeiro semestre de 2020, para a partir de setembro existir uma retoma mais sólida, estima.

"Estaremos dependentes da segurança em termos de saúde pública, para uma recuperação mais sólida do mercado", refere o analista, acrescentando que as empresas de grande capitalização serão as que se irão aguentar melhor e provavelmente sair mais fortes desta crise, uma vez que as PME podem enfrentar constrangimentos de tesouraria que impedirão algumas de continuar a sua atividade.

André Pires receia que algumas empresas possam sentir dificuldade em financiar-se devido à degradação das suas perspetivas e à liquidação no mercado de ações, mas empresas de retalho, como a Jerónimo Martins, poderão beneficiar da crescente procura, "devido à atitude de prudência da população em armazenar bens essenciais".

"Num cenário mais pessimista, caso a pandemia se agrave ainda mais, o setor financeiro poderá degradar-se. A economia pode entrar em recessão e poderemos entrar noutra crise", refere.

No entanto, reconhece, "estão a ser feitos enormes esforços no sentido de encontrar uma cura", pelo que, num cenário mais otimista, caso se encontre uma cura, ou uma vacina, "poderíamos ver uma reversão abrupta da tendência de queda dos mercados".

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