Coronavírus

Projeto The Pineapple Mind quer ser "o ombro amigo" de pessoas sozinhas

Facebook The Pineapple Mind

É um projeto de âmbito nacional que pretende ajudar pessoas que estejam de algum modo afetadas pela covid-19.

Especial Coronavírus

Mais de 40 voluntários juntaram-se ao projeto The Pineapple Mind, criado no Porto mas de âmbito nacional, para ser "o ombro amigo" de pessoas que estão sozinhas e se encontram de algum modo afetadas pela covid-19.

"Testaste positivo para a Covid-10 e estás, em casa, sozinho, em isolamento? Precisas de um ombro amigo ou de companhia? Somos um grupo de voluntários e estamos aqui para falar com quem precisa", apresenta-se o projeto, que foi criado por Diana Pereira, que é do Porto, estuda Medicina em Coimbra e falou hoje com a agência Lusa.

O que os interessados devem fazer é contactar o The PineappleMind via redes sociais (instagram e facebook), síto deste projeto na internet ou correio eletrónico ([email protected]), que depois destacará um dos seus colaboradores para a pessoa que pediu ajuda por se sentir vulnerável.

"Há muitos idosos, alguns não têm com quem falar e enfrentar a solidão e tudo isso contribui para que os sentimentos negativos acabem por dominar os seus pensamentos", apontou.

Diana Pereira informou que o projeto já tem "42 voluntários, a maioria deles estudantes de Psicologia e de Medicina, e 36 estão neste momento a ajudar alguém" que está ainda mais fragilizado devido à covid-19 e ao alarme que esta doença provocou devido à sua perigosidade.

"Há pessoas que nos contactam mais para conversar. Algumas já têm sintomas de ansiedade e depressão", sendo por isso incentivadas a procurar "ajuda profissional", por exemplo de um psicólogo, explicou a criadora deste grupo de ajuda baseado no voluntariado.

Violeta Oliveira, estudante do 5.º ano da Faculdade de Psicologia do Porto, é uma das voluntárias do The Pineapple Mind e acompanha "uma rapariga" há duas semanas, procurando manter com ela um contacto diário.

A finalista disse à Lusa que dá "sugestões sobre como preencher o dia" e essas podem passar por ver um filme ou "executar tarefas". "Não são coisas técnicas" e tudo o que conversam fica entre si, frisou Violeta Oliveira.

"É uma experiência positiva" para os voluntários e para as pessoas que eles acompanham, sentindo-se algumas delas muito fragilizadas, completou.

O projeto surgiu em 03 de março de 2019,"acelerou no princípio deste ano" e ganhou ainda maior velocidade com a pandemia da covid-19 com o intuito de "ajudar as pessoas o melhor possível", afirmou Diana Pereira.

A ideia ocorreu-lhe quando teve a cadeira de Neurociência e Saúde Mental no 4.º ano de Medicina e também porque em 2017 tinha tido "uma depressão", o que a fez considerar que fazia sentido falar da sua experiência pessoal.

Num contexto anormal devido às restrições que a doença impôs, que agravou isolamento em que já viviam muitas pessoas, o voluntário do The Pineapple Mind acaba por ser "mais um amigo" que a pessoa tem do outro lado para a ouvir e se sentir acompanhada.

A responsável avançou que "o The Pineapple Mind vai registar-se como Associação Portuguesa para Sensibilização da Saúde Mental", não se tendo ainda registado porque os registos notariais estão parados.

O projeto tem como símbolo o ananás por esta ser "uma das frutas ricas numa substância (triptofano) que faz bem à saúde mental", contribuindo para prevenir patologias como a ansiedade e a depressão, segundo Diana Pereira.