Do pouco que se sabe, e do muito que se estuda e se escreve, a OMS está cada vez mais certa de um dado - o novo coronavírus teve origem num morcego, e o início da pandemia está ligado ao mercado de wuhan, onde os animais selvagens são vendidos.
Mercados como o de Wuhan, lembra a organização, são uma fonte de alimentação acessível, e um meio de subsistência para milhões de pessoas em todo o mundo. Mas, sublinha o director-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus, têm sido mal regulamentados.
"A posição da OMS é que, quando for permitido que esses mercados reabram, deve ser imposta a condição de estar em conformidade com os rigorosos padrões de segurança e higiene alimentar. Os governos devem aplicar rigorosamente as proibições de venda e comércio de animais selvagens para alimentação".
De acordo com a BBC, a pandemia de Covid-19 já levou várias organizações de conservação da vida selvagem a pedirem que seja proibido o comércio de animais selvagens, e até mesmo o encerramento de mercados de animais vivos, por motivos de saúde pública.
A Born Free é uma delas, e já instou a OMS a trabalhar com os governos nesse sentido. O director, Mark Jones, entende que o fim do comércio de animais selvagens é essencial "para deter e reverter o declínio devastador da natureza, que já colocou um milhão de espécies em risco de extinção e ameaçou o futuro da vida selvagem e da humanidade".
Mas há também especialistas que consideram que a proibição total pode ser contraproducente.
Dan Challender e Amy Hinsley, da Universidade de Oxford, defendem outro tipo de abordagem ao problema: "Uma resposta mais apropriada seria melhorar a regulamentação dos mercados de animais selvagens, especialmente aqueles que envolvem animais vivos. Isso deve implicar considerações completas sobre as questões da saúde pública e do bem-estar animal, para garantir que haja um baixo risco de futuros surtos, em humanos, de doenças de animais".

