Coronavírus

Costa diz que o PCP é "responsável" pelo Avante! admitindo Festa de "atividade política" 

Costa diz que o PCP é "responsável" pelo Avante! admitindo Festa de "atividade política" 

Ana Geraldes

Ana Geraldes

Jornalista

"Nem nos passa pela cabeça proibir a atividade política", respondeu ao Porto Canal.

Especial Coronavírus

O Avante! acabou por se sobrepor a todas as outras questões a que, durante uma hora, o primeiro-ministro respondeu no Porto Canal.

António Costa tinha passado o dia inteiro no Porto, para mostrar como nos tempos que correm, foi preciso reajustar e readaptar a realidade à pandemia Começou no centro tecnológico CEiia, que já está a produzir ventiladores, andou de transportes públicos e foi ao comércio.

Cumprir as regras é o princípio. E é também neste princípio que António Costa se baseia para admitir que a Festa do Avante! tenha lugar. "O PCP disse logo que respeitaria" as normas de saúde pública, afirma o Primeiro-ministro que regista que a "atividade política" não está proibida "do PCP ou de qualquer outro partido. Nem dos passa pela cabeça, de ninguém, proibir a atividade política".

Faz questão de dizer que no PS, o Congresso previsto para maio não vai acontecer e nem foi ainda remarcado. Mas "cada um sabe de si" e remeter a responsabilidade da organização da festa do Avante para o PCP. "Cada partido político é responsável pela forma como o organiza", acrescenta.

Mesmo que os festivais de música tenham sido, na semana passada, proibidos até 30 de setembro. A esse propósito, o primeiro-ministro revelou que "foram os próprios promotores que pediram que houvesse uma proibição, porque tinham consciência que não tinham condições, na forma em como se organizam, de poder cumprir as normas sanitárias".

Depende da natureza específica do evento ter autorização para se realizar. O primeiro-ministro fala até na possibilidade de haver concertos em estádios de futebol, mas adeptos a assistir a jogos, não vê como, porque para António Costa não se pode pedir que não se abracem quando há golos.

Já sobre as praias, reconhece que é uma decisão difícil: "é dos temas mais delicados que temos pela frente, ainda não encontrei uma boa fórmula em que eu própria acredite", embora confesse que mantém as férias de verão marcadas e "gostaria muito de poder ir à praia".

Nesta entrevista, houve ainda tempo para falar da recuperação económica, em que voltou a dizer, de resto da mesma forma como o fez Mário Centeno, também numa entrevista esta semana, que espera que, em 2022, Portugal já possa estar a crescer como em 2019. Até lá, 2020 e 2021, reconhece que trarão uma "crise profunda", cujo custo, tenha ou não maior apoio da União Europeia, segundo o primeiro-ministro "será pago pelo esforço de todos nós".