Coronavírus

Enquanto uns desconfinam, outros enfrentam a segunda vaga e deixam o aviso

KIM HONG-JI

"Isto não acabou até estar acabado". As palavras são do Presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-In. Declarações feitas este domingo, depois de terem sido registados novos casos em Seul.

Especial Coronavírus

A Coreia do Sul foi um dos primeiros países a enfrentar o surto do novo coronavírus. Depois de semanas de confinamento, distância social e vigilância apertada, o país parecia finalmente estar em condições de aliviar as medidas restritivas de combate à Covid-19.

Contudo, na última semana, o aparecimento de novos casos de contágio levou Moon a alertar a população: "nunca devemos baixar a guarda em relação à prevenção de epidemias".

O país não é o único a enfrentar o receio crescente de uma segunda vaga de infeções. Na China, as cidades de Wuhan e Shulan são, por estes dias, palco de nova batalha.

Nesta última, que fica situada na província de Jilin, na fronteira com a Rússia e a Coreia do Norte, a ordem é parar tudo, outra vez, depois de terem sido confirmados 11 novos casos.

Em Wuhan, cidade onde o vírus foi identificado pela primeira vez, em 2019, surgiram agora - depois de 76 dias de isolamento - cinco novos casos. De acordo com as autoridades nacionais, nenhum destes foi importado do exterior.

Até aqui, o número de novas infeções na China e na Coreia do Sul vinha a diminuir consideravelmente, com a transmissão comunitária a parecer interrompida.

No caso da Coreia do Sul, a resposta foi aclamada como uma das melhores do mundo , ainda que auxiliada, em parte, pelo tamanho relativamente pequeno do país e pelas fronteiras de fácil controlo.

Agora, e embora estejamos a falar de números muito aquém dos registados no início da pandemia, as notícias são reveladoras da capacidade de propagação do vírus, sem ser detetado, mesmo em condições de extrema vigilância, o que levanta muitas dúvidas acerca da viabilidade e segurança do desconfinamento.

Mi Feng, porta-voz da Comissão Nacional de Saúde da China, pediu neste domingo que as pessoas "permaneçam alerta e intensifiquem a proteção pessoal contra o vírus".

Para o responsável, os novos focos de contágio são um lembrete de que é preciso evitar reuniões sociais e procurar aconselhamento, ou testes, caso alguém apresentasse sintomas de infeção.

À semelhança do que aconteceu com a Coreia, na Europa, a Alemanha também foi vista como um exemplo no combate à propagação do coronavírus.

Ainda assim, também ali a taxa de crescimento aumentou para mais de 1, nos últimos dois dias seguidos, de acordo com os dados do centro de controlo de doenças, o Instituto Robert Koch (RKI). Isto significa que uma pessoa infetada está, em média, a contagiar mais de uma outra pessoa, quando na quinta-feira passada a taxa estimada pelos especialistas se fixava nos 0,65.

A RKI reconhece o "grau de incerteza" das estimativas mais recentes, mas admite que o aumento da taxa de reprodução "torna necessário acompanhar, minuciosamente, o desenvolvimento nos próximos dias".

O Governo federal alemão e os estados tinham preparado um plano de recuperação, caso o vírus regressasse, segundo o qual se qualquer município excedesse as 50 novas infeções por 100.000 habitantes, as medidas de bloqueio seriam reintroduzidas nesse município.

No fim de semana, vários municípios do país excederam esse limite.

Casos como o de Singapura, que no início de abril tinha menos de duas mil infeções e agora, depois da tentativa de reabertura da economia, tem mais de 23.000, podem servir de exemplo para os países do ocidente, onde os governos procuram formas de aliviar as restrições.

Não acaba até acabar. Mas acabará, eventualmente. O que a experiência da Ásia vem mostrar é que isso vai exigir vigilância contínua e muita paciência.