Coronavírus

Farmacêutica Lilly lança primeiro estudo para o tratamento da Covid-19 com anticorpos

Athit Perawongmetha

Primeiros resultados deverão surgir no final de junho, princípio de julho.

Especial Coronavírus

A farmacêutica Lilly lançou o primeiro estudo mundial de um potencial tratamento da covid-19 com anticorpos em doentes internados nos Estados Unidos da América e conta ter resultados desta fase já no final do mês.

Em declarações à Lusa, o diretor médico da Lilly em Portugal, Luís Laranjeira, explicou que este anticorpo – a que deram o nome de LY-CoV555 e que resulta de uma colaboração com a empresa de biotecnologia AbCellera – impede a entrada nas células humanas do vírus que provoca a covid-19.

“O que vimos em laboratório é que este potencial medicamento é muito eficaz ao ligar-se às proteínas em volta do vírus, impedindo a acoplagem do vírus e a sua entrada nas células humanas”, explicou.

O responsável disse que esta fase do estudo, a primeira, pretende testar a segurança e a tolerabilidade deste anticorpo em doentes internados em três centros nos EUA (Nova Iorque, Los Angeles e Atlanta) e deverá ter os primeiros resultados “no final deste mês, início do próximo”.

“Só depois é que avançamos para uma segunda fase, para avaliar a eficácia”, explicou, lembrando que, ao mesmo tempo, a empresa irá na segunda fase avançar também para a produção”, disse, acrescentando: “Claro que se não vier a ser aprovado ou se tiver algum problema a produção é destruída e não será utilizada”.

“Como estamos numa luta de contrarrelógio contra a pandemia, o que a Lilly pretende é ter no final do ano já umas centenas de milhares de doses de potencial medicamento para o caso da fase 2, que avançará em doentes em ambulatório, se correr bem”, sublinhou.

Luís Laranjeira explicou ainda que, além de um tratamento, este anticorpo também pode vir a ser usado em doentes mais idosos ou com doenças autoimunes, que habitualmente não podem levar a vacina.

“Nestes doentes, a pequena infeção que a vacina provoca para estimular o sistema imunitário a produzir anticorpos para o vírus poderia ser muito grave”, explicou.

“Vamos querer avaliar se nestes doentes internados não há problemas de segurança nem de tolerabilidade e saber ao fim de quanto tempo temos concentrações máximas do medicamento e durante quanto tempo se mantêm”, explicou.

“Na segunda fase, esperamos estender a mais centros, com doentes em ambulatório, e provavelmente fora dos Estados Unidos. Sempre em doentes muito selecionados para sermos rápidos, pois o objetivo é conseguir ter o potencial medicamento ainda este ano”, acrescentou.

Este anticorpo foi desenvolvido pelos cientistas da Lilly em três meses, depois de a AbCellera e o Vaccine Research Center at the National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID) o terem identificado a partir de uma amostra de sangue de um doente americano que recuperou da covid-19.

Questionado sobre a forma de administração, o responsável da Lilly disse que deverá ser injetável e, em princípio, de toma única. “Vamos ver como é que este anticorpo se comporta. Tudo está ainda a ser avaliado”.

Mais de 421 mil mortos e cerca de 7,5 milhões infetados em todo mundo

A pandemia do novo coronavírus já causou a morte a pelo menos 421.691 pessoas e infetou mais de 7,5 milhões em todo o mundo desde dezembro, segundo um balanço da agência AFP baseado em dados oficiais.

De acordo com os dados recolhidos pela agência de notícias francesa até às 12:00 de Lisboa, já morreram pelo menos 421.691 pessoas e há mais de 7.529.190 casos de infeção em 196 países e territórios desde o início da epidemia, em dezembro de 2019 na cidade chinesa de Wuhan.

Pelo menos 3.361.200 foram considerados curados pelas autoridades de saúde.

Os países mais atingidos:

  • Estados Unidos, com 113.820 mortes e 2.023.147 infeções.
  • Reino Unido, com 41.279 mortes em 291.409 casos
  • Brasil com 40.919 mortes (802.828 casos
  • Itália com 34.167 mortes (236.142 casos)
  • França com 29.346 mortes (192.364 casos).
  • China (excluindo os territórios de Hong Kong e Macau), com 83.064 casos (sete novos entre segunda-feira e hoje) e manteve o número de mortes (4.634). Há 78.365 pessoas que foram dadas como curadas.

Às 12:00 de Lisboa, a Europa totalizava 186.453 mortes e 2.355.474 casos, os Estados Unidos e Canadá 121.870 mortes (2.120.877 casos), América Latina e Caraíbas 74.320 mortes (1.520.169 casos), Ásia 21.805 mortes (782.699 casos), Médio Oriente 11.208 mortes (524.433 casos), África 5.904 mortes (217.590 casos) e Oceânia 131 mortes (8.671 casos).

Uma morte e 270 novos casos de Covid-19 em Portugal

Portugal regista hoje 1.505 mortes relacionadas com a covid-19, mais um do que na quinta-feira, e 36.180 infetados, mais 270, segundo o boletim epidemiológico divulgado pela Direção-Geral da Saúde.

Links úteis

Mapa com os casos a nível global