Coronavírus

Transportes em Lisboa entre as questões do BE ao Governo

Passageiros tentam cumprir o distanciamento social dentro dos transportes.

Rafael Marchante

Terminar o regime de lay-off nas empresas de transportes, de modo a que seja reposta a totalidade da oferta, será uma das propostas apresentadas pelo partido.

Especial Coronavírus

O BE espera que o Governo apresente soluções para os transportes na Grande Lisboa em tempos de pandemia durante a interpelação ao executivo que faz hoje na Assembleia da República.

O BE agendou interpelação ao Governo sobre "a resposta à Covid-19 na Grande Lisboa nos transportes e na habitação", um debate com duração de mais de duas horas, que de acordo com fonte da secretaria de Estado dos Assuntos Parlamentares avançou à agência Lusa, contará com a presença do ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos.

"O objetivo desta interpelação tem a ver com a preocupação com a situação na Grande Lisboa, nomeadamente sobre os novos infetados, porque tem havido uma dificuldade, também por parte do Governo, mas não só, de olhar para esta crise e para estes novos infetados e deixar de lado um certo discurso de responsabilização individual ou de culpabilização de determinados comportamentos quando temos dito que há determinados fatores coletivos que têm uma influência muito grande neste tipo de situações", referiu, à Lusa a deputada do BE Isabel Pires.

Portugal a três velocidades

A expectativa do BE, de acordo com a deputada, "é que o Governo, depois desta interpelação, possa de facto avançar com algumas das soluções", sejam as que são propostas pelos bloquistas ou outras.

"Estamos abertos a todas as soluções que minimizem os impactos negativos que esta situação está a ter junto das populações e portanto o nosso objetivo é que também o Governo possa apresentar qual é que é a sua solução porque até agora só tem dito que os rácios de lotação (nos transportes públicos) estão a ser cumpridos, mas isso não resolve o problema das pessoas", defendeu.

Segundo Isabel Pires, "a Linha de Sintra é um problema, até porque ela atravessa alguns dos concelhos mais afetados" pela Covid-19, sendo esta uma questão antiga cuja situação atual só agravou.

"Considerando as indicações técnicas que existem sobre as dificuldades de poder colocar ou mais comboios ou uma maior frequência, então o Governo não pode pura e simplesmente dizer que não há resolução na Linha de Sintra. Não pode ser e por isso é que propusemos que possa haver um desdobramento da Linha de Sintra através de uma complementaridade do transporte rodoviário", explicou, referindo-se a um dos projetos de resolução entregues pelos bloquistas.

Há ou não gente a mais nos transportes de Lisboa?

Segundo a deputada do BE, "a ideia com que se fica das declarações" de Pedro Nuno Santos em comissão parlamentar na terça-feira "é que se possa avançar exatamente para uma solução parecida ou mesmo a solução do BE com o desdobramento da Linha de Sintra".

"Atualmente, tirando a Rodoviária de Lisboa, todas as empresas ainda estão em lay-off. Não tem qualquer sentido. Isto prejudica os trabalhadores que continuam com um corte de rendimento e prejudica, obviamente, quem tem que utilizar o transporte público, nomeadamente o autocarro e têm sido imensas as denúncias", referiu ainda.

Assim, segundo Isabel Pires "é preciso que 100% da oferta esteja reposta e isto significa terminar com o lay-off nestas empresas", sendo esta outra das propostas do BE.

A Comboios de Portugal (CP) não tem capacidade para aumentar o número de comboios em circulação na Área Metropolitana de Lisboa (AML), afirmou esta semana o ministro das Infraestruturas, revelando que está em estudo a possibilidade de alterações de horários.