Coronavírus

Vacina de Oxford desencadeia resposta imune e produz anticorpos que podem combater o coronavírus

Ivan Alvarado

A vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford parece segura e para já ainda não provocou efeitos secundários graves nos voluntários.

Especial Coronavírus

Os dados mais recentes divulgados sobre a vacina contra o novo coronavírus, desenvolvida pela Universidade de Oxford, são promissores.

Apesar de ainda ser cedo para se conhecer a real eficácia da vacina, os primeiros resultados indicam que parece segura, desencadeia uma resposta imune e produz anti-corpos que podem combater o vírus.

Os testes à vacina começaram no início de abril, em cerca de mil voluntários, entre os 18 e os 55 anos.

"Estamos a observar uma boa resposta imunológica em quase todas as pessoas. O que essa vacina faz particularmente bem é acionar as duas vias do sistema imunológico", disse Adrian Hill, diretor do Instituto Jenner da Universidade de Oxford, em comunicado.

Como é produzida a vacina?

A vacina, chamada ChAdOx1 nCoV-19 e que está a ser desenvolvida a uma velocidade recorde, é produzida a partir de um vírus geneticamente modificado que causa a gripe comum em chimpanzés.

O vírus foi modificado para não criar infeções em humanos e para se aproximar o mais possível ao novo coronavírus.

A vacina, contendo um vírus muito idêntico ao novo coronavírus, vai fazer com que o sistema imunitário aprenda a "atacá-lo".

Andrew Pollard, um dos investigadores de Oxford disse à BBC estar "muito satisfeito com os resultados publicados". Acrescenta que são muito promissores, mas que também sabe que o que toda a gente quer saber é se a vacina funciona e se a dose oferece proteção.

90% das pessoas desenvolveram anticorpos


O estudo, agora publicado na revista científica The Lancet, mostrou que 90% das pessoas desenvolveram anticorpos depois de administrada apenas uma dose.

"Não conhecemos ainda a quantidade certa para uma proteção segura, mas podemos maximizar as respostas com uma segunda dose", explicou Andrew Pollard à BBC.



Vacina não provocou até agora efeitos secundários graves

Segundo o estudo, os voluntários não desenvolveram efeitos secundários graves, porém 70% das pessoas tiveram febre ou dor de cabeça depois de tomar a vacina.

Uma outra investigadora de Oxford, Sarah Gilbert, reforça que "ainda há muito trabalho pela frente antes de ser confirmada a eficácia da vacina contra o novo coronavírus, mas que estes resultados são animadores".

O estudo publicado na revista científica não demonstra se, com a toma da vacina, as pessoas podem desenvolver os sintomas da Covid-19, inclusivé os mais graves. O passo seguinte será garantir que é segura o suficiente para ser distribuída.

A próxima fase de testes à vacina de Oxford vai envolver 10.000 pessoas no Reino Unido, 30.000 pessoas nos EUA, 2.000 na África do Sul e 5.000 no Brasil.

Boris Johnson diz que são notícias muito positivas

O primeiro-ministro britânico, através do Twitter, elogia os cientistas da Universidade de Oxford.

Destaca o trabalho dos investigadores e acrescenta que é um passo importante no caminho em direção a uma vacina, apesar de reconhecer que ainda não há garantias.

A corrida pela vacina contra a Covid-19

As vacinas mais promissoras


Para além da Universidade de Oxford, existem outras entidades a desenvolver uma vacina que possa combater o novo coronavírus.

A farmacêutica norte-americana Pfizer e a sociedade alemã BioNTech estão a desenvolver a vacina BNT162b1. A 1 de julho anunciaram resultados preliminares positivos após ensaios clínicos com 45 participantes.

Em comunicado conjunto, afirmam que a vacina "é capaz de gerar uma resposta de anticorpos nos seres humanos em níveis superiores ou iguais aos observados nos soros convalescentes - em doses relativamente baixas".

A Academia Militar de Ciências Médicas do Exército Chinês, em colaboração com a empresa CanSino BIO, estão a desenvolver uma vacina que usa um adenovírus.

A vacina Ad5-nCoV recorre a clonagem molecular da covid-19, técnica da engenharia genética conhecida também por ADN recombinante. Passou pelas fases I e II de testes, que indicaram que tem "potencial para prevenir doenças causadas pelo Sars-Cov-2", segundo a CanSinoBIO em comunicado.

A 25 de junho foi aprovada para "uso exclusivo dos militares" chineses pela Comissão Militar Central.

A Farmacêutica Moderna, uma empresa de biotecnologia dos Estados Unidos, anunciou resultados positivos para uma potencial vacina contra o novo coronavírus.

Cientistas da universidade britânica Imperial College London, que estão a desenvolver uma vacina contra a covid-19 com uma abordagem inovadora, já iniciaram os primeiros testes clínicos com 300 voluntários em meados de junho. Numa segunda fase, que será iniciada em outubro, o ensaio será feito com 6 mil pessoas.

Os laboratórios por todo o mundo estão numa corrida contra o tempo para desenvolver uma vacina contra o novo coronavírus. Há dezenas de equipas a testar várias candidatas a vacina, mas os cientistas avisam que nenhuma deverá estar pronta antes do fim deste ano.

Em relação à vacina de Oxford, o diretor do Instituto Jenner da Universidade de Oxford, estima que possam ser obtidos dados suficientes até o final do ano para decidir se a vacina pode ser aprovada para campanhas de vacinação em massa.