Coronavírus

Portugal vai integrar corredores aéreos do Reino Unido. Governo saúda "importante decisão"

Rafael Marchante

Quarentena vai deixar de ser obrigatória para os passageiros que regressem de território português.

Especial Coronavírus

Portugal vai integrar os corredores aéreos do Reino Unido e a quarentena vai deixar de ser obrigatória para os passageiros oriundos de território português. A medida deverá entrar em vigor a partir de sábado.

O ministro britânico dos Transportes confirmou a informação no Twitter.

"Os dados também mostram que agora podemos adicionar Portugal aos países incluídos nos corredores de viagens", disse Grant Shapps.

A notícia foi inicialmente avançada pelo jornal britânico The Guardian que sublinha, na publicação, a importância desta alteração para a indústria portuguesa do turismo, principalmente no Algarve. O Reino Unido é o principal mercado emissor de turistas para Portugal, tendo representado cerca de 20% do total em 2019.

De acordo com o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças, Portugal tem vindo a registar um decréscimo no número de infeções, tendo registado 27,8 casos por 100.000 habitantes nas últimas duas semanas.

O Reino Unido introduziu a necessidade de auto-isolamento por 14 dias a todas as pessoas que cheguem do estrangeiro ao Reino Unido em 8 de junho para evitar a importação de infeções, mas um mês depois isentou cerca de 70 países e territórios, considerados de baixo risco.

Matt Dunham

A isenção de quarentena é acompanhada com a mudança do conselho do Ministério dos Negócios Estrangeiros contra as viagens não essenciais para aqueles destinos, importante para efeitos de seguro de viagem.

Portugal, tal como a Suécia e Estados Unidos, esteve sempre fora da lista britânica dos destinos seguros, decisão que o governo português questionou por considerar não ser "baseada nos factos e nos números que são públicos".

O Governo português sempre se manifestou muito crítico em relação à exclusão de Portugal dos corredores aéreos do Reino Unido. Inclusive fez muita pressão que a situação se invertesse.

No início do mês, Portugal apresentou um relatório da situação epidemiológica com base nos critérios usados pelo Reino Unido para tentar alterar as restrições de viagem para aquele país causadas pela Covid-19.

Marcelo aplaude decisão do Reino Unido

O Presidente da República considera que esta é uma grande notícia para o Algarve e espera que a Irlanda tome a mesma decisão.

"É uma grande notícia para aqueles que esperavam e vão ver agora satisfeita essa possibilidade, é o caso do Algarve", defende Marcelo Rebelo de Sousa, que destaca ainda os britânicos que "ousaram" ir até à região do Sul, correndo o risco da quarentena.

A Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve espera que os turistas britânicos correspondam à luz verde dada pelo Governo e que viagem para a região.

Elidérico Viegas diz que estes turistas representam 1/3 das dormidas do Algarve e que são os que mais dinheiro gastam.

Ministro dos Negócios Estrangeiros saúda "importante decisão"

O Ministério dos Negócios Estrangeiros português saudou esta quinta-feira a decisão do Reino Unido de "repor a habitual mobilidade de pessoas" entre os dois países, "de particular relevância" para os mais de 300 mil portugueses a residir naquele país.

Em comunicado, o Ministério liderado por Augusto Santos Silva considera a medida uma "decisão muito importante" que "permitirá repor a habitual mobilidade de pessoas entre Portugal e o Reino Unido, qualquer que seja o motivo das deslocações".

"É, de facto, uma medida de particular relevância para os mais de 300 mil portugueses que residem no Reino Unido, bem como para os mais de 30 mil britânicos que escolheram Portugal para viver, bem como para as muitas centenas de estudantes portugueses em universidades britânicas e trabalhadores e quadros profissionais que têm de se deslocar regularmente entre os dois países", lê-se no texto.

O MNE salienta que a decisão britânica resulta de um "intenso trabalho bilateral" ao nível político e técnico de transmissão de "toda a informação relativa à situação e evolução epidemiológica portuguesa" e constitui "o reconhecimento da evolução positiva da situação em Portugal, nomeadamente a capacidade para testar em larga escala, detetar os casos positivos, controlar a sua transmissão e tratá-los da forma mais adequada".

MIGUEL A. LOPES

O comunicado precisa ainda que a decisão anunciada por Londres "entra em vigor às 04:00 do próximo sábado, dia 22 de agosto", a partir de quando "todas as viagens para Portugal são consideradas seguras pelo Governo britânico e nenhuma pessoa, chegando ao Reino Unido proveniente de Portugal, ficará sujeita à obrigação de um período de quarentena".

"O Reino Unido junta-se assim à Polónia, à Grécia, à República Checa, à Hungria, a Malta, à Roménia, à Bélgica, aos Países Baixos, à Dinamarca e ao Chipre no levantamento de restrições à mobilidade de passageiros oriundos de Portugal", conclui o comunicado.

Madeira espera receber muitos britânicos

O secretário regional do Turismo da Madeira diz que se fez justiça e espera que muitos britânicos visitem agora o arquipélago.

“A notícia é muito positiva para a região”, considera Eduardo Jesus.

Croácia, Áustria e a ilha de Trinidad e Tobago ficam de fora

Pelo contrário, Croácia, Áustria e a ilha de Trinidad e Tobago, nas Caraíbas, vão ser retiradas da lista devido ao crescente número de infeções, tal como tinha acontecido na semana passada com França, Países Baixos, Mónaco, Malta, as ilhas Turcas e Caicos e Aruba, e anteriormente com Bélgica, Andorra, Bahamas, Espanha e Luxemburgo.

Reino Unido regista segundo maior número de casos de Covid-19

O Reino Unido registou esta quinta-feira mais seis mortes e 1.182 infeções de Covid-19 nas últimas 24 horas, o segundo maior número de casos desde 21 de junho, anunciou o Ministério da Saúde britânico.

Na quarta-feira tinham sido registadas 16 mortes e 812 infeções, mas nos seis dias anteriores o número de casos ultrapassou sempre o milhar, refletindo um novo agravamento da pandemia no país.