Coronavírus

Bruxelas antecipa recolher obrigatório e obriga ao uso de máscara na rua

Francisco Seco / AP

Recolher obrigatório para da meia-noite para as 22h00 e lojas encerram às 20h00.

Especial Coronavírus

As autoridades de Bruxelas decidiram hoje antecipar da meia-noite para as 22 horas o recolher obrigatório imposto no país e ordenaram o encerramento das lojas às 20:00.

O anúncio foi feito pelo ministro presidente da região, Rudi Vervoort, uma decisão que vai além das adotadas na sexta-feira pelo Governo belga e que inclui ainda a proibição de atividades culturais e desportivas a partir de segunda-feira.

"A situação é muito grave", explicou Rudi Vervoort em conferência de imprensa.

A Bélgica registou hoje 15.432 casos de infeção pelo novo coronavírus, o maior número de infeções diárias registadas no país desde o início da pandemia, anunciou o instituto de saúde pública Sciensano.

O recorde anterior ocorreu no domingo, quando 12.969 infeções pelo novo coronavírus, que provoca a covid-19, foram detetadas no país.

Entre 14 e 20 de outubro, foram confirmados, em média, 11.201 casos por dia, o que representa um aumento de 56%, comparativamente à semana anterior.

Na conferência de imprensa, realizada na sexta-feira, sobre a situação epidemiológica, as autoridades de saúde afirmaram que o limite de 20 mil casos diários não deve demorar a ser ultrapassado.

A Bélgica e a capital, Bruxelas, sede das instituições europeias, são atualmente dos principais focos mundiais da pandemia da covid-19, com as próprias autoridades a admitirem que a segunda vaga está a ganhar contornos de 'tsunami'.

Com novas medidas restritivas em vigor desde segunda-feira -- recolher obrigatório entre a meia-noite e as 05:00 e o encerramento de restaurantes, bares e cafés -, a Bélgica continua a bater recordes.

As autoridades belgas reforçaram na sexta-feira as medidas de combate à pandemia de covid-19, reduzindo a presença de estudantes nas universidades e fechando ao público as competições desportivas, com o país em nível de alerta 4.

No anúncio das novas regras, que vigoram até 19 de novembro, o primeiro-ministro da Bélgica, Alexander de Croo, apelou para a responsabilidade individual e comportamentos coletivos dos cidadãos, de modo a evitar o recurso a um novo confinamento.

"É o nosso comportamento que determina a duração destas medidas. Nenhuma regra, nenhuma lei pode vencer este vírus, temos de nos tornar uma equipa sólida de 11 milhões de belgas para o vencer", disse De Croo, em conferência de imprensa.

Ensino superior, desporto e cultura são as áreas mais visadas pelas novas regras, que impõem um limite de 20% de presenças de estudantes nas universidades, com uso obrigatório de máscara.

As escolas do ensino primário e secundário continuam abertas a todos os alunos.

As competições desportivas profissionais voltarão a ter lugar sem público, mesmo que decorram ao ar livre, e as amadoras ficam suspensas, salvo as dos menores de 18 anos, que poderão continuar, mas com a presença de apenas um membro da família de cada jogador.

No caso dos eventos culturais, religiosos, associativos e educativos, é permitido um máximo de 40 pessoas, mas se o espaço permitir que se cumpra a regra de 1,5 metros de distanciamento físico, podem chegar a um máximo de 200 pessoas, mantendo-se a obrigatoriedade do uso de máscara.

A oferta de transportes públicos é reforçada neste nível 4, para minimizar os ajuntamentos.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 1,1 milhões de mortos e mais de 42,2 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Pelo menos 1,145 milhões de mortos no mundo desde o início da pandemia

A pandemia da covid-19 já causou pelo menos 1.145.847 mortos e mais de 42.262.290 infeções no mundo desde que o novo coronavírus foi descoberto em dezembro na China, indica um balanço da agência France-Presse até às 11:00 TMG (12:00 em Lisboa). 28.754.900 doente foram consideradas curados.

Nas últimas 24 horas, registaram-se mais 6.366 mortes e 482.954 casos em todo o mundo, segundo a AFP.

Países mais afetados

Os Estados Unidos são o país mais afetado, tanto em número de mortos como de casos, com um total de 223.998 mortos entre 8.494.044 casos, segundo o balanço da universidade Johns Hopkins. Pelo menos 3.375.427 pessoas foram declaradas curadas.

Depois dos Estados Unidos, os países mais atingidos são o Brasil com 156.471 mortos em 5.353.656 casos, a Índia com 117.956 mortos (7.814.682 casos), o México com 88.312 mortes (880.775 infetados) e o Reino Unido com 44.571 mortes (830.998 casos).

Entre os países mais afetados, o Peru é o que conta com mais mortos em relação à sua população, 103 por cada 100.000 habitantes, seguido da Bélgica (92), Espanha (74) e Bolívia (74).

A China (sem os territórios de Hong Kong e Macau) declarou um total de 85.775 casos (28 nas últimas 24 horas), incluindo 4.634 mortos (0 no último dia), e 80.876 curas.

A América Latina e as Caraíbas totalizavam hoje às 11:00 TMG 389.304 mortos em 10.830.540 casos, a Europa 260.198 mortes (8.499.613 infetados), os Estados Unidos e o Canadá 233.882 mortos (8.705.087 casos), a Ásia 164.802 mortos (10.088.549 infetados), o Médio Oriente 55.719 mortes (2.405.639 casos), África 40.930 mortos (1.698.937 casos) e a Oceânia 1.012 mortos (33.934 infetados).