Coronavírus

"Não vale a pena adiar o anúncio que o Natal é diferente, não é possível juntar pessoas no Natal"

Entrevista a Rui Nogueira, Presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar.

Especial Coronavírus

Rui Nogueira, Presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, considera as medidas anunciadas pelo Governo úteis e necessárias, mas que pecam por ser tardias.

Numa entrevista à SIC Notícias, afirmou que a situação é gravíssima e que se esperam muitos casos de covid-19 nos próximos dias que, por sua vez, irão causar uma grande pressão nos serviços de saúde.

"Temos que ser frontais com as pessoas", declarou o médico, acrescentando que "não vale a pena dourar a pílula".

Por isso mesmo considera que a necessidade de isolamento e da diminuição do contacto social vão obrigar a que este natal seja diferente, sem ajuntamentos.

Rui Nogueira sublinhou ainda o aumento de 15%, nos dois últimos dias, dos contactos em vigilância - pessoas que estiveram em contacto com um infetado - que se traduzirão em muitos casos positivos.

"Temos que considerar que 10 milhões estão potencialmente infetados", reforçou o médico, fazendo referência aos contactos feitos em ambiente de trabalho ou até no supermercado. "O vírus está na comunidade", alertou.

  • Não estou de acordo

    Opinião

    Não estou de acordo com métodos medievais para enfrentar uma pandemia. Se os vírus evoluíram, a organização da sociedade também deveria ter evoluído o suficiente para os combater de outra forma. O recolher obrigatório é próprio dos tempos obscuros e das sociedades não democráticas. Proibir as pessoas de circular na rua asfixia a economia e não elimina a pandemia.

    José Gomes Ferreira