Coronavírus

Há diferenças entre a primeira e a segunda vagas da pandemia. A explicação de Graça Freitas

RODRIGO ANTUNES

A Diretora-geral da Saúde diz que há cada vez mais conhecimento sobre a Covid-19.

Especial Coronavírus

Em entrevista, a Diretora-geral da Saúde refere as diferenças entre a primeira e a segunda vaga de casos de Covid-19 e diz que foi criada uma comissão técnica para definir os grupos que têm prioridade para tomar a vacina.

Graça Freitas diz que há diferenças importantes na segunda vaga em relação à primeira, registada na primavera. Começa por explicar que o perfil etário e diferente e que é no grupo de pessoas com 20 a 50 anos que está a maioria dos infetados.

Explica ainda que os internados ficam cada vez menos tempo em enfermaria ou Unidades de Cuidados Intensivos porque os médicos já têm mais conhecimento e há mais tratamentos que se podem fazer.

Sintomas comuns como obstrução nasal são pouco específicos para pedir teste à Covid-19

Com o desenvolver da pandemia, sabe-se cada vez melhor quais são os sintomas da Covid-19. Cansaço ou dores musculares têm sido apontados pelos doentes como sintomas habituais, mas a DGS diz que são demasiado comuns para que seja pedido um teste.

“O que as autoridades estão a fazer, internacionalmente, é tentar encontrar o conjunto de sintomas mais específico da Covid-19, para que quando procuram num conjunto de pessoas terem maior probabilidade de acertar naqueles parâmetros, nomeadamente, perda do olfato ou do sentido do paladar”, disse.

Doentes com problemas económicos devem ficar em casa e pedir ajuda

As autoridades de saúde continuam a apelar ao rigoroso cumprimento das regras. Os doentes Covid e os casos suspeitos que estejam em dificuldades económicas devem ficar em casa e pedir ajuda.

"Nós não devemos, por carência económica extrema, ir trabalhar doentes ou mandar um filho doente à escola, porque estamos a agravar não só o estado da doença, porque não estamos em repouso, nem a ser tratado, nem acompanhados, como estamos a ser agentes propagadores de doença", sublinhou.

E a vacina?

Sobre a chegada de uma vacina, Graça Freitas informou que foi criada uma Comissão Técnica de Vacinação para definir os grupos de risco a vacinar.

Graça Freitas avisa que vacinas para a gripe não vão chegar para todos

Portugal adquiriu mais de dois milhões de vacinas da gripe só para o Serviço Nacional de Saúde. As doses abrangem a "grande maioria" dos grupos de risco, mas não vão chegar para todos.

“Algumas pessoas vão ficar sem vacina, é óbvio que sim, basta fazer contas. Nós temos mais pessoas nestes grupos etários e nestes grupos de risco do que aquelas vacinas que o país conseguiu comprar, mas isso tem a ver com a disponibilidade de vacinas que havia a nível mundial", explicou Graça Freitas.

A encomenda de vacinas ainda não chegou na totalidade. Faltam 270 mil, que deverão chegar entre o final deste mês e o início do próximo.

Excesso de informação ajuda à fadiga pandémica

Graça Freitas reconhece ainda que o facto de haver muitos emissores de informação sobre a Covid-19, desde os media, aos peritos, passando pelas redes sociais, pode confundir as mensagens e baralhar o público, ajudando à fadiga pandémica.

"Há a comunicação técnica e a institucional, que é sobretudo passada pela DGS, pelo INSA [Instituto Nacional de Saúde], pelo Infarmed [Instituto Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde]. (...) Depois temos a informação política, a informação dos media, das pessoas que têm o maior tempo de antena de todas, que são os jornalistas (...) e, depois, temos os vossos convidados, os peritos e não peritos, todas as pessoas que opinam, os negacionistas, os catastrofistas, os de todos os quadrantes que se tornaram lideres de opinião", exemplifica.

"A fadiga pandémica advém de um coletivo de pessoas, que praticamente é o planeta inteiro, submetido a uma pressão enorme, que é a pressão da pandemia e que nos levou a todos, em diferentes fases, a receber informação massiva, que cansa".

Para o combater, defende que é necessário dar às pessoas uma perspetiva de futuro, dizendo que "mais tarde ou mais cedo vai acabar, nós não sabemos é quando. (...) Temos de ter esperança de que as coisas vão melhorar".

Fadiga da pandemia. “Temos esse direito, é humano e a própria OMS já reconhece”

Questionado sobre o cansaço provocado pela pandemia, o psicólogo clínico Mauro Paulino explica que reconhecer que ele existe é o primeiro passo para pedir ajuda para lidar com o stress e ansiedade que provoca. Diz ainda que é natural que aconteça, e que até a própria Organização de Mundial já reconhece a sua existência.

Análise à mortalidade e causas só estará concluída em 2021

Ainda em entrevista, a Diretora-geral da Saúde revelou que a autoridade de saúde só terá concluída em 2021 a análise ao aumento do número de mortes e respetivas causas durante o período da pandemia, dado que é um processo complexo de analisar.

Graça Freitas explica que há, de facto, uma sobremortalidade este ano, mas diz que os valores "têm de ser cuidadosamente estudados" e que o processo "é muito mais complexo do que se pensa".