Coronavírus

Sintomas comuns como obstrução nasal são pouco específicos para pedir teste à Covid-19

Diretora-geral da Saúde Graça Freitas

ANTÓNIO COTRIM / LUSA

Graça Freitas defende que se deve apostar nos sintomas que têm maior probabilidade de estar relacionados com a doença.

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A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, considera que o corrimento ou obstrução nasal são sintomas muito comuns e pouco específicos para serem decisivos no pedido de teste à covid-19.

"Às vezes é difícil equilibrar a sensibilidade com a especificidade. São sintomas muito comuns, que são detetáveis em muita gente e que para conseguir diagnosticar um caso de covid teria de se rastrear muita gente", afirma, em entrevista à agência Lusa.

"Temos de valorizar os sintomas ligeiros", avançaram investigadores

Investigadores da Escola Nacional de Saúde Pública defendem que sintomas ligeiros como obstrução ou corrimento nasal, dor de garganta e dores musculares devem ser valorizados e considerados suspeitos para a realização de testes à covid-19.

Apostar nos sintomas que têm maior probabilidade de estar relacionados com a Covid-19

Graça Freitas defende que se deve apostar nos sintomas que têm maior probabilidade de estar relacionados com a doença.

"Esses sintomas podem aparecer com a covid-19, é óbvio que sim, mas são sintomas tão pouco específicos, são tão comuns no nosso dia-a-dia (...). Nós também temos de ter em conta a probabilidade de um sintoma poder estar ou não ligado a uma determinada doença", afirmou.

A responsável explicou ainda que o que as autoridades estão a fazer, internacionalmente, é tentar encontrar o conjunto de sintomas mais específico da covid-19, para que quando procuram num conjunto de pessoas terem maior probabilidade de acertar naqueles parâmetros, nomeadamente, perda do olfato ou do sentido do paladar ou até ter o paladar com algum tipo de distorção.

"Se isso acontece, a probabilidade de ser covid-19 é muito grande. (...) Se for um sintoma mais corrente é muito sensível e implica um rastreio e um diagnóstico diferencial muito grande", acrescentou.

Graça Freitas explicou que Portugal está a seguir a definição de caso internacional e que para esta definição são usados como critérios clínicos:

  • a tosse, ou agravamento do padrão habitual
  • a febre (igual ou superior a 38 graus)
  • dificuldade respiratória
  • anosmia (perda de olfato) de início súbito
  • disgeusia ou ageusia (alteração do paladar ou perda de paladar) de início súbito

"Nós seguimos as indicações internacionais porquê? Porque elas baseiam-se em análises de muitos casos, em muitos estudos e na probabilidade de de facto acertarmos no diagnóstico perante um determinado número de sintomas", sublinhou.

Covid-19. Estudo aponta erros e omissões nos dados divulgados pela DGS

Quanto às críticas da academia relativamente aos dados fornecidos aos investigadores, que dizem ter identificado vários erros, inconsistências e omissões nos registos, Graça Freitas diz que a DGS reconhece que não são perfeitos, mas diz que quem tempo o tempo e deve limpar essas bases de dados é precisamente a academia.

"Queremos é que os médicos reportem e que os laboratórios reportem, mas este sistema tem impurezas. Quem é que tem de limpar essas impurezas? Os académicos, a quem damos as bases de dados com toda a transparência", afirmou.

Um estudo de uma equipa de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto identificou vários erros, inconsistências e omissões nos registos da DGS.

"Para terem uma noção, no nosso sistema já entraram, positivos e negativos, três milhões e 200 mil notificações. Se me disser, não devia aparecer nenhum homem grávido, eu respondo, pois não, mas em 3,2 milhões de notificações houve um médico que se enganou e pôs a cruz no homem e na gravidez. Já podíamos ter limpado essa variável, podíamos, mas para efeitos de vigilância epidemiológica ela não nos faz grande diferença", explica.

"Nós queremos as grandes linhas, as grandes tendências e queremos saber isto ao dia (...). Há aqui um trabalho que é académico e quem deve fazer isso é a academia, porque tem o seu tempo, não precisa dos dados todos os dias, às 09:00 ou à 10:00 ou às 13:00. Nós precisamos", afirmou a responsável: acrescentando: "Nenhuma base de dados (...) que um académico recebe é uma base dados limpa, pura, certa, e não confundamos as duas coisas".

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