Coronavírus

Covid-19. BioNTech e Pfizer pedem autorização para uso da vacina na União Europeia

Dado Ruvic / Reuters

Se a vacina for aprovada, poderá começar a ser administrada na UE antes do final de 2020.

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A farmacêutica alemã BioNTech e a parceira norte-americana Pfizer submeteram na segunda-feira um pedido de aprovação condicional da sua vacina contra a covid-19 à Agência Europeia de Medicamentos.

Através de um comunicado divulgado esta terça-feira, as duas empresas dizem que o pedido concluí o processo de revisão que iniciaram com a agência europeia, a 6 de outubro.

O pedido da BioNTech e da Pfizer surge no dia depois da farmacêutica Moderna anunciar que pediu uma autorização de emergência para a utilização da vacina nos Estados Unidos da América e na Europa.

A BioNTech adianta que se a vacina, com o nome BNT162b2, for aprovada, poderá começar a ser usada na Europa antes do final de 2020.

No mês passado, as empresas anunciaram que os ensaios clínicos, que envolveram dezenas de milhares de participantes, mostraram que a vacina tinha uma eficácia de 95%. A taxa de eficácia em grupos de idosos foi de mais de 94%.

A BioNTech e a Pfizer já pediram uma autorização de emergência para a utilização da vacina nos Estados Unidos da América e no Reino Unido, assim como submeteram pedidos em outros países como a Austrália, Canadá e Japão.

"Sabemos desde o início desta jornada que os pacientes estão à espera e estamos prontos para enviar a vacina contra a covid-19 assim que as potenciais autorizações nos permitem", disse o presidente-executivo da Pfizer, Albert Bourla, através de um comunicado citado pela agência Associated Press.

Covid-19: diferenças, vantagens e desvantagens das vacinas da Pfizer, Moderna e AstraZeneca

Neste momento, há três vacinas em fase mais avançada do processo, das norte-americanas Moderna e Pfizer e da britânica AstraZeneca. Todas apresentam resultados aparentemente promissores mas cada uma tem características específicas.

Desde logo, o preço. A previsão aponta que a vacina mais barata seja a da AstraZeneca (cerca de 3€/dose) mas é também mais difícil de produzir. Na Pfizer e na Moderna (15€/dose e 21€/dose, respetivamente), o custo é mais elevado mas a eficácia parece ser também maior.

Mas têm o problema da conservação, sobretudo a Pfizer. A vacina tem de ser guardada a -70ºC e nem todos o locais de armazenamento têm capacidade para isso.

Covid-19. Otimismo e pressa podem comprometer resultados a médio e longo prazo da vacina

"Tem-se dito que não há efeitos adversos, mas há efeitos adversos nas vacinas", alerta o investigador Miguel Castanho.

A proposta do plano de vacinação para a covid-19, conhecida na semana passada, continua envolta em polémica por excluir pessoas com mais de 75 anos sem doenças. Miguel Castanho, investigador do Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, explicou, na Edição da Tarde, como são feitos os ensaios clínicos.

De acordo com o investigador, o planeamento do ensaio clínico é feito à partida com aquilo que se espera que seja a população-alvo, mas não existe uma regra fixa, admitiu, sublinhando que não se conhecem ainda os resultados substanciais.

Por isso, considera importante deixar nas mãos das autoridades reguladoras, como a FDA (a agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos) e a Agência Europeia do Medicamento, a decisão de aprovar ou não a vacina para determinadas faixas etárias, garantindo a segurança.

"A partir daí já podemos, com os pés no chão, fazer um plano de vacinação. Até lá, estamos muito especulativos", afirmou.

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