Coronavírus

Covid-19. Moderna pede aprovação de emergência da vacina nos EUA e Europa

Dado Ruvic

Últimos resultados mostram uma eficácia de 94,1%

Especial Coronavírus

A farmacêutica Moderna vai pedir esta segunda-feira uma autorização de emergência, nos Estados Unidos da América e na Europa, para a sua vacina contra a covid-19, depois dos últimos resultados mostrarem uma eficácia de 94,1%.

A Moderna Inc. anunciou ainda que a taxa de eficácia da vacina era consistente entre diferentes idades e género. Para além disto, a vacina demonstrou ser 100% eficaz na prevenção de casos severos da covid-19, a doença que já matou quase 1,5 milhões de pessoas por todo o mundo.

"Acreditamos ter uma vacina que é altamente eficaz. Agora, temos a informação para o provar", disse o chefe do Departamento Médico da Moderna, Tal Zaks, citado pela agência Reuters. "Esperamos ter um papel importante em reverter esta pandemia."

Dos 196 voluntários que contraíram a covid-19, num estudo com mais de 30 mil pessoas, 185 receberam um placebo, enquanto 11 foram vacinados. A Moderna reportou 30 casos severos – todos no grupo que recebeu placebo -, o que significa que a vacina foi 100% eficaz em prevenir casos severos.

A eficácia e a segurança demonstrada pela vacina -- que suscitou efeitos secundários temporários semelhantes a sintomas de gripe -- cumprem os requisitos da agência norte-americana, a FDA, para uma autorização de uso de emergência ainda antes de toda a fase de testes estar concluída.

A Agência Europeia do Medicamento também já manifestou abertura para autorizar o uso do fármaco.

Além disso, vai apresentar à Organização Mundial de Saúde um procedimento acelerado de registo da vacina.

Como funciona a vacina?

Caso obtenha autorização da FDA, a Moderna espera ter prontas 20 milhões de doses da vacina no fim do ano para os Estados Unidos.

Como a vacina precisa de duas doses, isso significa que dez milhões de pessoas poderão ser imunizadas.

A vacina da Moderna, tal como a da Pfizer, usa uma parte do código genético de uma proteína que reveste o novo coronavírus.

Quando introduzido no corpo humano, leva-o a produzir essa proteína, treinando o sistema imunitário para reagir e reconhecê-la se entrar em contacto com o vírus.

A vacina não precisa de temperaturas negativas de 70 graus, como é o caso da Pfizer, possibilitando transporte e armazenamento mais baratos e acessíveis para áreas rurais ou economias em desenvolvimento.

AVANÇOS NAS VACINAS E TRATAMENTO CONTRA A COVID-19

Este mês de novembro tem tido várias boas notícias sobre os avanços no desenvolvimento de uma vacina contra o SARS-CoV-2 bem como um tratamento novo.

► As farmacêuticas Pfizer e BioNTech anunciaram na segunda semana de novembro que a sua vacina BNT162b2 contra a Covid-19 alcançou 90% de eficácia nos testes. Uma semana depois anunciaram ter concluído os testes com 95% de eficácia. A 19 de novembro o responsável da BioNtech revelou a possibilidade de a vacina poder começar a ser administrada antes do Natal e anunciaram que, no dia seguinte apresentam um pedido de emergência para aprovação junto da FDA.

► A vacina que está a ser desenvolvida pela universidade de Oxford e pela farmacêutica AstraZeneca - ChAdOx1 nCoV-19- demonstrou ser segura e provocar uma resposta imunitária em pessoas mais idosas na fase 2 do ensaio clínico. Os resultados finais vão ser apresentados "antes do Natal", assegurou o líder da investigação.

Esta vacina já sofreu entretanto dois revezes: a 23 de novembro foi noticiado que a eficácia de 90% obtida devido a erro na dosagem e, a 26 de novembro, soube-se que um erro no fabrico da vacina da AstraZeneca põe em causa eficácia. Será realizado um novo ensaio clínico com a vacina.

► O porta-voz do ministro da Saúde da Rússia veio assegurar que a vacina que está a ser desenvolvida no país - a Sputnik V - tem uma taxa de eficácia superior a 90% e no dia seguinte Putin garantiu que "todas as vacinas russas contra a Covid-19 são eficazes" A 24 de novembro a Rússia anuncia eficácia de 95% da vacina Sputnik V contra a covid-19

► A vice-Presidente russa anunciou que os testes clínicos da segunda vacina russa contra a Covid-19, a EpiVacCorona que está a ser desenvolvida pelo Instituto Vector, começam a 15 de novembro,

► O ensaio clínico da potencial vacina CoronaVac da chinesa Sinovac chegou a ser suspenso no Brasil devido a "efeito adverso grave.", embora a empresa chinesa reafirme a confiança no produto, indicando que o efeito secundário não está relacionado com a vacina. Os testes foram retomados no dia 11.

► A agência norte-americana do medicamento (FDA) deu uma autorização de utilização de emergência e temporária de um medicamento experimental para a Covid-19 fabricado pela Eli Lilly, mas apenas para doentes com sintomas ligeiros ou moderados e não para hospitalizados a necessitar de oxigénio.

Este tratamento experimental com anticorpos sintéticos é o primeiro especificamente desenvolvido para o novo coronavírus.

► A 21 de Novembro a FDA concedeu a autorização de emergência à empresa de biotecnologia Regeneron para a utilização no país do tratamento com anticorpos monoclonais que o Presidente dos EUA recebeu em outubro contra a covid-19.