Coronavírus

EUA autorizam tratamento com anticorpos da Regeneron que Trump recebeu

TOM BRENNER

FDA concedeu autorização de emergência à empresa de biotecnologia Regeneron para a utilização nos EUA do tratamento com anticorpos monoclonais.

Especial Coronavírus

A entidade reguladora norte-americana concedeu no sábado autorização de emergência à empresa de biotecnologia Regeneron para a utilização no país do tratamento com anticorpos monoclonais que o Presidente dos EUA recebeu em outubro contra a covid-19.

A autorização da Administração de Alimentos e Drogas dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) limita o uso do fármaco a pessoas com mais de 12 anos que tenham apresentado resultados positivos no teste à covid-19 e que estejam em risco de desenvolver um caso grave da doença, explicou a cientista chefe da FDA Denise M. Hinton numa carta enviada à empresa.

O medicamento contém dois anticorpos potentes que, em estudos preliminares, mostraram resultados promissores na contenção da infeção, especialmente se administrado durante as fases iniciais da doença.

A FDA concedeu no início deste mês outra aprovação de emergência para a utilização a nível nacional de um 'cocktail' muito semelhante, propriedade da farmacêutica Eli Lilly.

Nenhum dos tratamentos pode ser administrado a pessoas hospitalizadas ou a pacientes que necessitam de oxigénio.

Pouco depois de confirmar que tinha testado positivo para a covid-19 no início de outubro, Trump recebeu uma dose de oito gramas do 'cocktail' de anticorpos Regeneron, apesar de não ter sido aprovado para utilização pela FDA.

Depois de recuperado, Trump disse que o tratamento foi o principal responsável pela sua melhoria e definiu-o não como "terapia" mas como uma "cura", apesar de não haver provas científicas que sustentem essa conclusão.

Quando pediu autorização de emergência em outubro, a Regeneron disse que, uma vez concedida, o Governo dos EUA tinha "assumido o compromisso de disponibilizar doses aos americanos sem custos" e que seria responsável pela sua distribuição.

Avanços nas vacinas e tratamento contra a Covid-19

Este mês de novembro tem tido várias boas notícias sobre os avanços no desenvolvimento de uma vacina contra o SARS-CoV-2 bem como um tratamento novo.

► As farmacêuticas Pfizer e BioNTech anunciaram na segunda semana de novembro que a sua vacina BNT162b2 contra a Covid-19 alcançou 90% de eficácia nos testes. Uma semana depois anunciaram ter concluído os testes com 95% de eficácia. A 19 de novembro o responsável da BioNtech revelou a possibilidade de a vacina poder começar a ser administrada antes do Natal e anunciaram que, no dia seguinte apresentam um pedido de emergência para aprovação junto da FDA.

► A vacina que está a ser desenvolvida pela universidade de Oxford e pela farmacêutica AstraZeneca - ChAdOx1 nCoV-19- demonstrou ser segura e provocar uma resposta imunitária em pessoas mais idosas na fase 2 do ensaio clínico. Os resultados finais vão ser apresentados "antes do Natal", assegurou o líder da investigação.

► O porta-voz do ministro da Saúde da Rússia veio assegurar que a vacina que está a ser desenvolvida no país - a Sputnik V - tem uma taxa de eficácia superior a 90% e no dia seguinte Putin garantiu que "todas as vacinas russas contra a Covid-19 são eficazes"

► A vice-Presidente russa anunciou que os testes clínicos da segunda vacina russa contra a Covid-19, a EpiVacCorona que está a ser desenvolvida pelo Instituto Vector, começam a 15 de novembro,

► O ensaio clínico da potencial vacina CoronaVac da chinesa Sinovac chegou a ser suspenso no Brasil devido a "efeito adverso grave.", embora a empresa chinesa reafirme a confiança no produto, indicando que o efeito secundário não está relacionado com a vacina. Os testes foram retomados no dia 11.

► A 16 de novembro a farmacêutica Moderna revelou que a sua vacina experimental tem uma eficácia de 94,5%.

► A agência norte-americana do medicamento (FDA) deu uma autorização de utilização de emergência e temporária de um medicamento experimental para a Covid-19 fabricado pela Eli Lilly, mas apenas para doentes com sintomas ligeiros ou moderados e não para hospitalizados a necessitar de oxigénio.

O tratamento experimental com anticorpos sintéticos é o primeiro especificamente desenvolvido para o novo coronavírus.

EUA ultrapassa os 12 milhões de infetados

A autorização de emergência surge no mesmo dia em que os Estados Unidos ultrapassaram 12 milhões de infetados com o novo coronavírus e já contam com mais de 255 mil mortos, mais do que qualquer outro país do mundo.

De acordo com o relatório independente da Universidade Johns Hopkins, há, nas últimas 24 horas, mais 155.377 novas infeções e 1.291 mortes.

A barreira dos 12 milhões de casos foi ultrapassada apenas seis dias depois de os EUA alcançarem os 11 milhões de infeções e apenas 12 dias depois de atingir os 10 milhões, um sinal de que o país tem uma forte propagação de infeções.

Na quinta-feira, os EUA registaram um recorde absoluto de novas infeções ao registar num só dia 200.146 novos casos, um dia que também contou com o maior número de mortes em 24 horas, 2.239, desde o início de maio, em plena explosão da pandemia.

Embora Nova Iorque não seja o estado com o maior número de contágios, continua a ser o mais atingido por mortes, com 34.287, seguindo-se o Texas (20.751), Califórnia (18.666), Florida (17.930) e Nova Jersey (16.746).

No número de infeções, o estado do Texas e o da Califórnia ultrapassam um milhão, com 1.117.583 e 1-099.523, respetivamente, seguindo-se o da Florida (931.827), Ilinóis (646.286) e em quinto lugar Nova Iorque (584.850).

O Instituto de Avaliações Métricas e de Saúde, da Universidade de Washington, cujos modelos de previsão da evolução da pandemia costumam ser definidos pela Casa Branca, estima que até ao final do ano os EUA alcançarão as 320.000 mortes e no primeiro dia de março de 2021 chegue às 440.000.

Mais de 1,37 milhões de mortes no mundo

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 1.373.381 mortos resultantes de mais de 57,5 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência de notícias France-Presse (AFP).

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.