Coronavírus

"Fechar as escolas é fechar as portas à aprendizagem, principalmente aos que menos têm"

Ministro da Educação defende o funcionamento das escolas que considera fundamental para combater desigualdades. 

Especial Coronavírus

O ministro da Educação defendeu esta terça-feira que é fundamental manter as escolas em funcionamento, para atenuar as desigualdades que a pandemia veio expor e agravar.

"Manter as escolas abertas é importante por todos os indicadores educativos e sociais que nos dizem que fechar as escolas, mesmo com todas as provas que as comunidades educativas deram no anterior confinamento, é fechar as portas à aprendizagem principalmente aos que menos têm", afirmou Tiago Brandão Rodrigues.

Governo admite suspender aulas presenciais no 3.º ciclo e secundário

Durante a reunião desta terça-feira no Infarmed, segundo o primeiro-ministro houve "um grande tema de divergência entre os diferentes especialistas e que se relacionou com o funcionamento das escolas, o que exigirá agora a devida ponderação por parte do Presidente da República, do Parlamento e do Governo".

"Mas também requer o diálogo com outras instituições, como a Confederação Nacional de Associações de Pais, a Associação dos Diretores Escolares, entre outras. Está obviamente fora de causa interromper a atividades de avaliação que se encontram em curso no Ensino Superior", começou por salientar António Costa.

De acordo com o primeiro-ministro, na reunião, "todos os especialistas foram convergentes de que, até aos 12 anos, nada justifica o encerramento das escolas, mas a dúvida está na faixa intermédia. Aí, as divergências entre os próprios especialistas foram muito grandes".

"Naturalmente, a ponderação política terá de ter em conta também outros fatores e igualmente outros atores", disse.

"Apesar de existir esta divergência, foi consensual para a generalidade dos cientistas que a escola em si não é um foco de infeção ou de perturbação", frisou o líder do Executivo.

Ou seja, no limite, segundo António Costa, "as escolas podem representar um fator de movimentação de pessoas".

"E, dessa movimentação, resulta naturalmente um maior risco de transmissão. Portanto, as divergências não têm a ver com o funcionamento da escola em si, mas relacionam-se com a ideia de que a escola é mais um fator de acréscimo de movimentação. É esse o fator de desacordo", justificou o primeiro-ministro.