Coronavírus

Governo reúne-se com epidemiologistas sobre fecho das escolas. Decisão "entre hoje e amanhã"

JOSÉ SENA GOULÃO / LUSA

Ministras Marta Temido e Mariana Vieira da Silva vão depois encontrar-se com o primeiro-ministro.

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A ministra da Saúde, Marta Temido, e a ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, reúnem-se esta quarta-feira com epidemiologistas para avaliar o encerramento das escolas.

Marta Temido e Mariana Vieira da Silva vão estar com o primeiro-ministro já depois da reunião, assim que António Costa chegar de Bruxelas, onde discursou esta quarta-feira de manhã.

O anúncio da reunião foi feito pelo primeiro-ministro, em Bruxelas: "A senhora ministra da Saúde e a ministra da Presidência vão reunir hoje [quarta-feira] ao fim do dia com os epidemiologistas, eu tive a oportunidade ainda há pouco de falar com o Presidente da República, e quando chegar logo à noite a Lisboa irei reunir também com a ministra da Saúde e com a ministra da Presidência. Amanhã [quinta-feira] temos Conselho de ministros, e portanto estamos a avaliar a evolução da situação", disse.

"Entre hoje e amanhã" será decidido o encerramento das escolas

"É uma questão que se vai colocar entre hoje e amanhã." Esta foi a resposta de Marcelo Rebelo de Sousa a um aluno do liceu Pedro Nunes, que lhe perguntou sobre o encerramento das escolas.

Marcelo Rebelo de Sousa falava perante cerca de 50 alunos no auditório da Escola Secundária Pedro Nunes, em Lisboa, numa ação de campanha como candidato às eleições presidenciais do próximo domingo.

Segundo o chefe de Estado, o Governo irá ponderar "se se deve esperar até à sessão com os epidemiologistas marcada para terça-feira" para tomar uma decisão sobre a manutenção ou não da abertura de escolas.

Marcelo Rebelo de Sousa apontou como "dados adicionais relevantes" a ter em conta nessa decisão o crescimento de casos em Portugal da "variante britânica" do novo coronavírus e a "disseminação social nas escolas".

"Essa ponderação muito serena tem de se fazer", afirmou.

Costa assume números "dramáticos" mas rejeita decidir "conforme as pressões"

O primeiro-ministro, António Costa, admitiu , em Bruxelas, que os números de infeções de covid-19 em Portugal "são particularmente dramáticos", mas insistiu que não se deve "tomar decisões conforme as pressões", quando questionado sobre o eventual encerramento das escolas.

António Costa reiterou que, mesmo no atual contexto, tudo será feito para evitar o encerramento das escolas, apesar de se multiplicarem as vozes a defender esse cenário.

"Nós não podemos tomar decisões conforme as pressões. Ainda há poucas semanas a pressão era para abrir os restaurantes mais tempo, agora a pressão é para fechar mais. Nós temos de ir tomando as decisões em função daquilo que são as realidades efetivas e qual é a dinâmica efetiva", declarou.

Costa referiu que "há nesta circunstância concreta (...) um elemento muito importante", que se prende com "as análises que estão a ser realizadas neste momento no Instituto Ricardo Jorge com base nas amostras recolhidas nos últimos dias", que considerou "decisivas" para se ter a perceção do grau de prevalência da nova estirpe, que acelera o ritmo de transmissão.

O primeiro-ministro assumiu que, "se a prevalência dessa estirpe for relevante", aí, porventura, terão de ser tomadas "medidas perante uma nova realidade", numa lógica que garante ser a mesma "desde o início: O Governo nunca hesitará em tomar a qualquer momento qualquer medida que seja necessária para travar a pandemia".

"Agora, convém não esquecer que todos sabemos hoje qual foi o custo social e no processo de aprendizagem para as crianças do encerramento das escolas no ano passado. E aqui não se trata de compensar as perdas económicas de uma empresa, porque essas são mais ou menos compensáveis - podemos não compensar tudo, e não temos dinheiro infelizmente para compensar a dimensão das perdas que estão a ter -, estamos a falar da formação de uma geração, e este é um dano cujo preço a pagar não é hoje, é um preço que pagaremos longamente ao longo dos próximos anos. Portanto é preciso ter muita serenidade, ter muita calma, recolher informação e tomar as decisões", declarou.

OLIVIER HOSLET

Na quinta-feira haverá novo Conselho de Ministros e António Costa reiterou que o encerramento dos estabelecimentos escolares só será decretado "em último caso", mas, atendendo à evolução da situação epidemiológica em Portugal, não excluiu o cenário de "lá ter que chegar".

"Vamos fazer tudo para evitar o encerramento das escolas, e só o devemos fazer em último caso. Ontem [terça-feira] já o disse na Assembleia [da República]: Se, por exemplo, se vier a verificar que efetivamente a nova variante tem um peso muito grande e que, portanto, isso é um risco acrescido de uma circulação muito mais acelerada na transmissão do vírus, bom, poderemos lá ter que chegar. Mas eu acho que é o desejo de todos seguramente não chegarmos lá", afirmou.

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