Coronavírus

UE contesta explicações da AstraZeneca sobre atrasos na produção da vacina anti-covid

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AstraZeneca nega que se tenha retirado de uma reunião com Bruxelas sobre fornecimento da vacina contra a covid-19

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O laboratório farmacêutico britânico AstraZeneca rejeitou hoje que se tivesse retirado de uma reunião organizada pela UE, depois de o bloco comunitário ter colocado em causa as explicações sobre o atraso no fornecimento de vacinas para a covid-19.

A AstraZeneca, que anunciou na semana passada que irá distribuir menos vacinas que o previsto no primeiro trimestre devido a uma "baixa na produção" numa das suas fábricas, já tinha sido convocada duas vezes para se explicar perante os representantes dos Estados-membros e da Comissão Europeia. As explicações foram consideradas "insuficientes".

Hoje negou ter-se retirado de uma reunião organizada pela UE, e garantiu que participará ainda hoje num encontro.

"Não nos retiramos, vamos participar da reunião com representantes da UE ainda hoje", disse um porta-voz do grupo em comunicado à AFP.

União Europeia pode vir a processar Astrazeneca por quebra contratual

Na terça-feira, a União Europeia anunciou que pode vir a processar a Astrazeneca por quebra contratual. Em causa está o atraso na entrega das vacinas que pode comprometer a campanha de imunização na Europa.

Estavam prometidas 100 milhões de doses para o primeiro trimestre deste ano, mas a farmacêutica já avisou que nem metade vai conseguir entregar.

Perante a falha no contrato, Bruxelas insiste na pressão: "As farmacêuticas que receberam milhões têm de honrar as promessas".

UE contesta explicações da AstraZeneca

Bruxelas contesta os argumentos apresentados pelo presidente da AstraZeneca, Pascal Soriot, para explicar os atrasos na produção da vacina anti-covid.

Em entrevista publicada ontem em vários órgãos de comunicação social, Pascal Soriot explicava o acordo de princípio com o Reino Unido de utilização das fábricas britânicas.

"O acordo britânico foi concluído em junho (de 2020), três meses antes do acordo europeu (...) Londres estipulou que o fornecimento da cadeia de fornecimento britânica iria primeiro para o Reino Unido".

No préacordo concluído com a UE em agosto, que estipulava até 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca/Oxford, "é mencionado que os locais de fabrico britânicos eram uma opção para a Europa mas apenas mais tarde", explica o presidente.

No jornal italiano La Repubblica o presidente da farmacêutica é citado: "Não temos qualquer compromisso com a UE (...) Não é um compromisso contratual. Dissemos: faremos o nosso melhor, mas sem garantia de sucesso".

"A UE queria tantas doses quanto o Reino Unido quando assinou três meses depois. Na altura dissemos: faremos o nosso melhor, mas não vamos assumir um compromisso contratual"

Palavras que fizeram Bruxelas reagir: "Contestamos muitos elementos desta entrevista, incluindo a ideia de que a produção das fábricas britânicas seria reservada para entregas somente no Reino Unido. Isso não é correto", disse um alto funcionário da UE à AFP.

"Sobre a questão de 'fazer o seu melhor', o contrato prevê a existência de capacidades de produção adicionais. De forma que se houver um problema numa fábrica na Bélgica, possamos usar as capacidades de outras fábricas na Europa ou no Reino Unido"..

Para Pascal Soriot, as dificuldades de "rendimento" encontradas na sua fábrica europeia podem ser explicadas pelo atraso em relação ao Reino Unido: os parceiros do grupo tiveram que "aprender" o processo de produção.

“Não foram tão eficientes quanto os outros (...) . Não há nada de misterioso", afirmou

Pascal Soriot, presidente da farmacêutica britânica AstraZeneca

Pascal Soriot, presidente da farmacêutica britânica AstraZeneca

Pablo Martinez Monsivais

Mais de 2,1 milhões de mortos e 100 milhões de infetados a nível mundial

A pandemia de covid-19 já fez pelo menos moins 2.159.155 mortos a nível mundial desde que a Organização Mundial de Saúde (OMS) reportou o surto da doença, segundo a contabilização feita pela AFP.

De acordo com os números atualizados da agência de notícias francesa junto de várias fontes oficiais, hoje às 11:00 havia mais de 100.236.600 casos de infeção oficialmente diagnosticados desde o início da epidemia, dos quais pelo menos 60.933.300 são agora considerados curados.

Links úteis

Mapa com os casos a nível global

  • O exemplo inglês 

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    Na década de oitenta, as tragédias de Heysel Park primeiro e de Hillsborough depois, atiraram a credibilidade do futebol inglês para a sarjeta.

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