Coronavírus

Adiar segunda dose da vacina contra a covid-19 divide especialistas

O coordenador do plano de vacinação defendeu hoje, no Parlamento, o adiamento da segunda toma por sete ou 15 dias.

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A possibilidade de adiar segunda dose da vacina contra a covid-19 já está a ser estudada pela Direção-Geral de Saúde (DGS) e pelo Infarmed, a pedido do coordenador do plano de vacinação contra a covid-19.

O vice-almirante Henrique Gouveia e Melo defendeu esta quarta-feira, numa audição parlamentar, o adiamento da toma da segunda dose da vacina, permitindo ter doses disponíveis para vacinar mais idosos até ao final de março.

"Se pudermos alargar este período, não por uma semana mas até para duas, podemos antecipar a vacinação a cerca de 200 mil pessoas", referiu, justificando a medida pela escassez de vacinas e pelo facto de, no caso dos idosos com mais de 80 anos, apenas serem utilizadas as vacinas da Pfizer e da Moderna, já que a da AstraZeneca não é recomendada pela DGS para maiores de 65 anos.


Os especialistas dividem-se sobre o adiamento da administração da segunda dose. O investigador do Instituto de Medicina Molecular (IMM), Miguel Prudêncio, considera que a informação científica que existe sobre a vacina da Pfizer mostra que "se atrasarmos a segunda dose vamos estar a proteger muito significativamente um número maior de pessoas mais cedo, sem por em causa a eficácia da segunda dose da vacina, que vem robustecer a imunidade dada pela primeira dose".

Mas o também investigador do IMM, Miguel Castanho, acredita que o ideal será manter os prazos como planeado: "Eu preferiria aquilo que é real, que é objetivo, conhecido, concreto, que está testado. Manter o rigor no plano e fazer a administração da forma que está demonstrado que tem a eficácia".

Hélder Mota Filipe, perito da Agência Europeia do Medicamento e ex-presidente do Infarmed, pede que seja feita uma análise de risco cuidadosa antes de ser tomada qualquer decisão. Trata-se de avaliar entre "o benefício, que é mais pessoas com alguma proteção, ou o risco de termos mais pessoas vacinadas mas não com a proteção suficiente", explica.