Coronavírus

Covid-19. Governadores acusam Bolsonaro de "distorcer" dados sobre a pandemia

Joedson Alves / EPA

O Brasil é um dos países mais afetados pela pandemia no mundo e acumula, até agora, quase 255 mil mortes.

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Um grupo de 17 governadores brasileiros divulgou esta segunda-feira uma carta na qual acusa o Presidente, Jair Bolsonaro, de "distorcer" dados sobre o dinheiro que o Governo Federal tem dedicado ao combate à pandemia de covid-19.

Na carta, os governadores de 17 das 27 unidades federativas do país expressam a sua "preocupação" com o uso de "instrumentos de comunicação oficiais, pagos com dinheiro público, para produzir informação distorcida, gerar interpretações equivocadas e atacar os executivos locais".

O descontentamento foi gerado por informações que o Presidente publicou nas suas redes sociais e que apareceram em alguns portais de comunicação oficiais, as quais detalham recursos enviados pelo Governo Federal aos estados ao longo de 2020.

Entre essas informações estão valores que o executivo está constitucionalmente obrigado a distribuir entre as unidades federativas, assim como o custo dos subsídios aprovados pelo Congresso e destinados aos mais pobres e desempregados para amenizar os efeitos económicos da pandemia do novo coronavírus.

Segundo os governadores que assinaram a carta, entre eles dois vinculados ao 'bolonarismo', "a meio de uma pandemia de proporções sem precedentes na história, agravada por uma contundente crise económica e social, o Governo Federal parece dar prioridade à criação de confrontos" políticos.

O texto afirmou que "essa linha de má informação e de promoção de conflitos entre governantes em nada combaterá a pandemia, e muito menos permitirá um caminho de progresso para o país".

A carta foi divulgada num momento de forte agravamento da pandemia de covid-19, em parte atribuída à estirpe mais agressiva do vírus, que surgiu na Amazónia.

Brasil é um dos países mais afetados pela pandemia

O Brasil é um dos países mais afetados pela pandemia no mundo e acumula, até agora, quase 255 mil mortes e mais de 10,5 milhões de casos.

Diante dessa nova fase mais aguda da pandemia, muitos governos regionais e municipais voltaram a adotar diversas medidas para tentar conter as infeções, incluindo o encerramento de todas as atividades económicas consideradas não essenciais.

Bolsonaro, líder de uma extrema-direita negacionista, reagiu com duras críticas a essas medidas, alertou que só agravarão a grave crise económica do país e afirmou que "o povo quer trabalhar" e "não ficar trancado em casa".

O Presidente afirmou ainda que, se o parlamento aprovar a retoma dos subsídios aos mais pobres, suspensos em dezembro passado, esses recursos devem ser financiados pelos executivos locais que suspenderam as atividades produtivas e comerciais para conter o avanço da pandemia.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.531.448 mortos no mundo, resultantes de mais de 114 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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