Coronavírus

Anticorpos contra a covid-19 aumentam após segunda toma da vacina Pfizer/BioNTech

Enfermeira Isabelli Guasso administra a potencial vacina CoronaVac da chinesa Sinovac ao voluntário e médico Luciano Marini no hospital Sao Lucas da Universidade Católica em Rio Grande do Sul (PUCRS), Porto Alegre.

Reuters Photographer

Investigadores recomendam que não se aumente o intervalo entre doses e que se mantenham os cuidados de proteção após a vacinação.

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Quase todos os profissionais de saúde do Centro Hospitalar Lisboa Ocidental seguidos num estudo do Instituto Gulbenkian de Ciência desenvolveram anticorpos "de forma expressiva" três semanas após a segunda dose da vacina da Pfizer/BioNTech contra a covid-19.

Os resultados deste estudo indicam também que o aumento dos anticorpos ao nível das mucosas (nariz e vias respiratórias), a principal fonte de contágio e transmissão da doença, foi "pouco expressivo", o que levou os investigadores a recomendarem que não se aumente o intervalo entre doses além do limite definido pelo fabricante e que se mantenham os cuidados de proteção, mesmo após o processo de vacinação.

"Os ensaios clínicos desta vacina foram feitos com três semanas, mas a recomendação dos fabricantes é que o prazo possa ser maior. Apontamos para se seguir esta recomendação porque em alguns países começou a adotar-se a metodologia de vacinar toda a gente com a primeira dose e depois, quando houvesse segunda dose, logo se vacinava. Com estes resultados isso era um risco", explicou à agência Lusa Carlos Penha Gonçalves, corresponsável pelo estudo e investigador do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC).

Questionado sobre o anúncio do Governo no início do mês de alargar o período entre doses de 21 para 28 dias, o investigador disse: "Em Portugal o que estamos a fazer é correto".

De acordo com o estudo, dos 1.245 profissionais de saúde acompanhados desde a primeira toma da vacina, 99.8% desenvolveram anticorpos "de forma expressiva" ao final de três semanas depois da toma da segunda dose.

Avaliação permanente de vacinas comprojetos de vigilância

Em comunicado conjunto, o Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) e o Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental (CHLO) -- que integra os hospitais S. Francisco Xavier, Egas Moniz e Santa Cruz -- lembram que, embora as vacinas de mRNA tenham sido aprovadas e sejam seguras, à medida que são introduzidas em todo o mundo e administradas a milhões de pessoas "existe uma necessidade premente de avaliar a sua eficácia nos diferentes níveis populacionais", o que exige meses de estudos epidemiológicos.

O IGC e o CHLO têm vindo a colaborar em projetos de vigilância do vírus SARS-CoV-2 em profissionais de saúde e os primeiros resultados do estudo de eficácia, três semanas após a primeira administração da vacina da Pfizer/BioNTech, apresentados em fevereiro, apontavam para cerca de 90% dos profissionais envolvidos a desenvolver uma resposta imunitária.

Três semanas após a administração da segunda dose da vacina, os valores subiram para mais de 99%, "garantindo uma forte resposta imune, que está na base da proteção à doença", sublinham as instituições.

A importância de manter as medidas de proteção mesmo após a vacina

Em declarações à Lusa, o investigador Carlos Penha Gonçalves sublinhou ainda a importância de manter as medidas de proteção mesmo após o processo de vacinação, explicando:

"Os anticorpos têm de estar a níveis muito altos nas mucosas respiratórias para poder prevenir a infeção. Sabemos que o que a vacina faz é prevenir a doença, mas para termos a certeza de que as pessoas continuam protegidas da infeção, ou seja, não são infetadas pelo vírus, é importante manter".

"As medidas dão uma garantia acrescida de que a pessoa não é portadora do vírus e não o transmite", acrescentou.

A idade tem efeito na resposta à vacina

Segundo uma nota conjunta do IGC e do CHLO, neste estudo de seis semanas de acompanhamento os investigadores verificaram, por exemplo, que "a idade tem efeito na resposta à vacina e, nomeadamente, que homens com idades compreendidas entre os 60 e os 70 anos tiveram respostas imunológicas mais baixas, principalmente após a toma da primeira dose da vacina".

"Os resultados mostraram que, após a primeira dose, a resposta imune é muito heterogénea na população e que a segunda dose é necessária para maximizar a proteção conferida pela vacina" afirma Jocelyne Demengeot, imunologista, co-responsável pelo estudo e investigadora do Instituto Gulbenkian de Ciência, citada no comunicado.

"Além de confirmar que, numa população globalmente saudável, a vacina mRNA origina uma forte reposta imune, a sua quantificação nos profissionais de saúde permite-lhes enfrentar com maior confiança os desafios do dia a dia e contribui para reforçar em cada um deles a consciência da importância da vacinação", considera João Faro Viana, médico responsável pelo projeto no CHLO.

Estudo acompanha um grupo de profissionais de saúde durante um ano

O estudo, que continua a decorrer, vai acompanhar o grupo de profissionais de saúde por um período de um ano para tentar perceber por quanto tempo os anticorpos se mantêm e, se algum dos profissionais que participam no estudo contrai a doença, e qual a resposta que o organismo vai desencadear.

O IGC pretende ainda alargar esta investigação através da monitorização de outras faixas etárias da população e a diferentes vacinas, quando disponíveis a nível nacional, em parceria com outros hospitais e autarquias.

O conjunto de dados recolhidos serão partilhados com o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge.

Vacinas contra a covid-19: as que estão a ser usadas e as que estão a caminho

Em menos de um ano desde que foi declarada a pandemia foram desenvolvidas várias vacinas em laboratórios por todo o mundo. A primeira vacina a obter autorização de emergência para inoculação foi a da Pfizer e BioNTech. O Reino Unido foi o primeiro país a aprovar esta vacina e a iniciar a campanha de vacinação, em dezembro de 2020.

Até ao final de fevereiro de 2021 havia um total de 69 vacinas - compreendendo as que estão já em utilização e as que estão em ensaios clínicos, segundo a Organização Mundial de Saúde. Há ainda 181 ainda em desenvolvimento no estádio pré-clínico, ou seja, ainda não foram testadas em seres humanos.

Mais de 2,7 milhões de mortos em todo o mundo

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.735.411 mortos no mundo, resultantes de mais de 124,1 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Os países mais atingindos continuam a ser os Estados Unidos, o Brasil, o México, a Índia e o Reino Unido.

Mais de 2,7 milhões de mortos em todo o mundo

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.745.337 mortos no mundo, resultantes de mais de 124,8 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Os países mais atingindos continuam a ser os Estados Unidos, o Brasil, o México, a Índia e o Reino Unido.

Em Portugal, morreram 16.814 pessoas e há 819.210 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A covid-19 é uma doença respiratória causada pelo novo coronavírus SARS-CoV-2 detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Links úteis

Mapa com os casos a nível global

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