Coronavírus

Vacinas contra a covid-19: as que estão a ser usadas e as que estão a caminho

Tingshu Wang

As vacinas prontas e autorizadas, as que estão em produção ou em vias de aprovação: ponto de situação sobre as vacinas contra a covid-19 disponíveis pelo mundo.

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Até ao final de fevereiro de 2021 havia um total de 69 vacinas - compreendendo as que estão já em utilização e as que estão em ensaios clínicos, segundo a Organização Mundial de Saúde. Há ainda 181 ainda em desenvolvimento no estádio pré-clínico, ou seja, ainda não foram testadas em seres humanos.

Porque precisamos de uma vacina?

Já se passou mais de um ano desde que o novo coronavírus SARS-CoV-2 entrou nas nossas vidas - de todo e qualquer ser humano deste planeta. E a grande maioria ainda está vulnerável à infeção.

Têm sido as restrições que nos são impostas que têm permitido controlar a disseminação do vírus, mas com um enorme custo a todos os níveis - social, económico, na educação, na saúde...

As vacinas são o meio para ensinar o nosso organismo a combater a infeção se entrarmos em contacto com o vírus.

E são "A" estratégia para sairmos desta pandemia.

As três vacinas pioneiras

As três vacinas que chegaram primeiro à linha da meta foram as desenvolvidas pela Pfizer/BioNTech, Moderna e Oxford/AstraZeneca.

A Pfizer/BioNTech e a Moderna desenvolveram vacinas de mRNA - uma nova abordagem que é rápida de desenvolver: é injetado um minúsculo fragmento do código genético do vírus no nosso corpo, que começa a produzir uma parte do vírus o que obriga o corpo para preparar a sua defesa.

A vacina Oxford/AstraZeneca usa um vírus inofensivo (vetor viral) para transportar o material genético do coronavírus para o nosso corpo. Isso foi aprovado no Reino Unido e na Europa.

É a mais fácil de usar e transportar, pois pode ser guardada no frio de um frigorífico ao contrário das duas anteriores que necessitam de temperaturas muito baixas.

Todas as três devem ser dadas em duas doses. Tem no entanto havido algumas questões sobre o intervalo entre as duas doses. Há também pelo menos uma investigação a decorrer para determinar se é possível misturar duas doses de diferentes vacinas.

Outras vacinas em desenvolvimento e utilização no resto do mundo

Recentemente foram apresentados os resultados dos ensaios clínicos de mais duas vacinas: da Janssen, laboratório da Johnson & Johnson, e da Novavax, resultados esses que estão agora a ser revistos pelas entidades reguladoras antes de os medicamentos serem aprovados.

A vacina da Janssen utiiliza a mesma técnica da Oxford/AstraZeneca mas tem uma diferença significativa - basta uma única dose em vez de duas. Esta vantagem combinada com o armazenamento apenas em frigorífico e a previsão de fabrico de mil milhões de vacinas este ano têm o potencial de fazer com que esta vacina cause um impacto significativo em todo o mundo.

A Novavax utiliza a abordagem mais tradicional - proteínas do novo coronavírus proteínas e uma substância química para preparar o sistema imunitário são injetadas no nosso organismo.

  • Sinovac, CanSino e Sinopharm

Estas vacinas estão a ser desenvolvidas por cientistas da China e já têm acordos de distribuição com vários países da Ásia e da América do Sul. Cerca de um milhão de pessoas na China receberam a injeção de Sinopharm.

A vacina desenvolvida pelo Instituto Gamaleya na Rússia funciona de uma forma muito semelhante à da Oxford/AstraZeneca e da Janssen.

Segundo os resultados finais publicados na revista científica The Lancet tem uma grande eficácia (91,6%) - e previne contra a forma mais grave da covid-19.

O que significa eficácia da vacina?

Quando se diz que uma vacina é X% eficaz contra a covid-19 tal significa que reduz o risco de contrair a doença em X%, de acordo com os cálculos feitos pelos cientistas com base em ensaios clínicos.

Entre as dezenas de milhares de voluntários que participam nos testes, a uns é dada a vacina e a outros é dado um placebo.

Durante um ensaio clínico, todos os participantes fazem a sua vida normal. Alguns serão infetados pelo novo coronavírus e desenvolverão, ou não, a doença covid-19. Se a vacina for eficaz, o número de pessoas infetadas será menor.

Por exemplo, a vacina russa Sputnik V, segundo os resultados publicados a 2 de fevereiro na revista médica The Lancet, tem 91,6% de eficácia contra as formas moderadas a severas da doença.

► Nesta altura, as vacinas com melhor desempenho são as da Pfizer/BioNTech - 95% eficaz - e a da Moderna - 94,1% eficaz - com intervalo de 21 e 28 dias entre as doses, respetivamente.

E quanto a eficácia contra variantes do novo coronavírus?

É uma questão que atormenta os cientistas.

Variantes todos os vírus têm. A questão reside se o torna mais forte ou mais fraco, mais ou menos resistente às vacinas.

Depois de detetada uma variante no Reino Unido - ficou conhecida como variante de Kent - outra surgiu na África do Sul. E uma de suas mutações (chamada E484K) parece tornar as vacinas menos eficazes.

Razão pela qual, e com base num estudo que colocava em causa a eficácia da vacina da AstraZeneca, a África do Sul decidiu utilizar antes a vacina da Johnson & Johnson. Mas nenhuma conclusão é ainda definitiva.

Por seu lado, Pfizer e BioNTech garantem que a sua vacina mantém eficácia contra as principais mutações da variante britânica e da sul-africana. Apoiam a sua afirmação num estudo publicado na revista Nature Medicine.

A Moderna assegura que a sua vacina é eficaz contra a variante britânica e, até certo ponto, contra a sul-africana. Quer no entanto introduzir uma dose de reforço dirigida especificamente contra esta variante.

A vacina alemã CureVac mostrou eficácia contra as variantes britânica e sul-africana, segundo os resultados dos testes preliminares com animais

Eficaz para que idades?

Não sabemos ainda se as vacinas são eficazes em pessoas mais idosas - uma vez que a resposta imunitária vai diminuindo com a idade.

Esta interrogação tem sido sobretudo colocada à vacina da AstraZeneca, que vários países só têm administrado aos menores de 65 anos e até de 55 anos, uma vez que não há dados suficientes para estas faixas etárias.

De qualquer forma, a OMS já veio afirmar que esta vacina era válida para maiores de 65 anos.

Outra faixa etária para a qual não há dados é a de menores de 18 anos, uma vez que não há ensaios clínicos que envolvam crianças..

Será que a vacina impede a transmissão do vírus?

Mesmo depois de resolvida a questão da eficácia - a pessoa que recebe a vacina fica protegida e tem então menor risco de contrair a doença - resta saber se ainda pode transmitir o vírus a outra pessoa.

Cientistas israelitas têm afirmado que impede o contágio, pelo menos no que respeita à vacina da Pfizer/BioNTech, administrada em grande escala em Israel.

A plataforma global COVAX para as vacinas

O mecanismo COVAX é uma plataforma global para o desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19, coordenada pela Aliança Global para as Vacinas (Gavi) e pela Organização Mundial de Saúde (OMS), para um acesso equitativo às vacinas a preços acessíveis.

Participam vários países, instituições e organizações, como a União Europeia.

Este programa visa fornecer este ano vacinas anti-covid a 20% da população de cerca de 200 países e territórios participantes. Mas é sobretudo um mecanismo de financiamento que permite a 92 ds economias mais fracas do mundo de ter acesso às preciosas doses.

Links úteis

Mapa com os casos a nível global

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