Coronavírus

Vacina russa Sputnik V com 91,6% de eficácia contra a covid-19

Alexander Zemlianichenko Jr

Resultados publicados na revista científica The Lancet.

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A vacina russa Sputnik V tem uma eficácia de 91,6% contra a covid-19, segundo os resultados da fase 3 dos ensaios clínicos publicados na revista científica The Lancet e validados por especialistas independentes.

““O desenvolvimento da vacina Sputnik V tem sido criticado pela precipitação, pelo facto de ter queimado etapas e pela falta de transparência. Mas os resultados relatados são claros e o princípio científico da vacinação está demonstrado, o que significa que uma vacina adicional pode agora juntar-se à luta para reduzir a incidência da covid-19”, estimam dois especialistas britânicos, os professores Ian Jones e Polly Roy, num comentário anexado ao estudo.

Vacina "segura e eficaz"

Estes primeiros resultados verificados da fase 3 dos ensaios clínicos vêm assim coroborar as afirmações iniciais da Rússia sobre a eficácia da Sputnik V, que foram recebidas com ceticismo pela comunidade científica internacional no outono passado.

Em novembro, o porta-voz do ministro da Saúde assegurava que a vacina, desenvolvida pelo Centro Nacional de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya em Moscovo, tinha uma taxa de eficácia superior a 90% e o Presidente russo garantia também que "todas as vacinas russas contra a Covid-19 são eficazes"

Os resultados preliminares da fase 3 nessa altura deram como certa uma eficácia de 95%. A 14 de dezembro, os resultados finais da fase 3 indicaram uma eficácia de 91,4%.

Com este resultado de 91,6% de eficácia na prevenção da covid-19, a Sputnik V fica ao nível das vacinas mais eficazes e já a serem administradas - da Pfizer/BioNTech - com 95% de eficácia - e da Moderna - com eficácia de 94,5%.

20 mil voluntários tomaram a vacina

Os resultados publicados agora dizem respeito ao ensaio clínico realizado com 20 mil voluntários. Mostram que a Sputnik V reduziu em 91,6% o risco de infeção pelo novo coronavírus SARS-CoV-2.

Os voluntários do ensaio que se realizou entre setembro e novembro receberam todos duas doses da vacina ou de placebo com três semanas de intervalo.

No dia seguinte a cada inoculação foi feito um teste PCR, mas na segunda dose o teste só foi realizado às pessoas que desenvolveram sintomas.

No total, 16 voluntários em 14.900 que receberam as duas doses da vacina testaram positivo à covid-19 (0,1%), contra 62 em 4.900 que receberam o placebo (1,3%).

Os autores sublinham que os testes PCR só foram realizados quando as pessoas declararam ter sintomas de covid-19, razão pela qual a análise da eficácia diz apenas respeito a casos sintomáticos.

"São necessárias mais investigações para determinar a eficácia da vacina em casos assintomáticos bem como sobre a transmissão" da doença, avança a The Lancet.

Eficaz em idosos com mais de 60 anos

Com base em cerca de 2.000 casos de pessoas com mais de 60 anos, o estudo considera que a vacina é eficaz nessa faixa etária.

Os dados parciais mostram ainda que protege contra as formas moderadas a severas da doença.

Vacina com "vírus inofensivo"

A Sputnik V é uma vacina de vetor viral, ou seja, utiliza outros vírus tornados inofensivos para o organismo humano que se adaptam para combater a covid-19.

Trata-se da mesma técnica utilizada pela vacina da AstraZeneca/Oxford, que apresenta uma eficácia de 60%, segundo a Agência Europeia do Medicamento, EMA.

Enquanto a vacina da AstraZeneca se baseia num único adenovírus de chimpanzé, a Sputnik V utiliza dois adenovírus humanos diferentes para cada uma das injeções.

Segundo os seus criadores, a utilização de um adenovírus diferente na segunda dose deverá provocar uma melhor resposta imunitária.

Criadores da vacina Sputnik V e AstraZeneca unem-se para melhorar vacina contra a covid-19

No final de dezembro, Moscovo fez um acordo com e a farmacêutica britânica AstraZeneca. Com vacinas semelhantes em fase final de testes, russos e britânicos acreditam que só ganham em juntar esforços.

Mais de 2,23 milhões de mortos no mundo

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.237.990 mortos resultantes de mais de 103.330.900 de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP esta terça-feira de manhã

Os países mais afetados continuam a ser os Estados Unidos, o México e o Brasil .

Portugal com mais de 12 mil mortes e 726 mil casos

Desde o início da pandemia, Portugal já registou 12.757 mortes e 726.321 casos de infeção pelo vírus SARS-CoV-2, segundo o último balanço de segunda-feira.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Links úteis

Mapa com os casos a nível global

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