Coronavírus

"Se tivéssemos vacinas, no fim de maio tínhamos a população toda vacinada"

MIGUEL PEREIRA DA SILVA / LUSA

Número de vacinas disponível desacelera processo de vacinação dos idosos no interior.

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O plano de vacinação está em marcha e os centros de saúde estão preparados para continuar a receber idosos, mas o número de vacinas continua a dificultar o processo.

"O único problema que nós temos com a vacinação é não termos vacinas disponíveis para podermos vacinar rapidamente a população. Se tivéssemos vacinas, no fim de maio tínhamos a população toda vacinada", disse hoje à agência Lusa Luís Melo, Delegado de Saúde de Manteigas, no distrito da Guarda.

No Centro de Saúde de Fornos de Algodres, também na Guarda, a vacinação decorre em "grupos de 10 pessoas, de 30 em 30 minutos", com os idosos a terem nesta vacina "uma sensação de não morte", explicou a médica Emília Pina.

Em Fornos de Algodres, o contacto com os utentes é feito no dia anterior, já que só ao final do dia a unidade de saúde sabe "quantas doses há para o dia seguinte", disse a coordenadora, Luísa Amaral, admitindo que, por vezes, a administração da vacina estende-se "até às 21:00, porque o lote das vacinas tem de ser gasto no próprio dia".

No Agrupamento de Centros de Saúde do Dão Lafões (ACeS Dão Lafões), em Viseu, estão a ser cumpridas as regras gerais de vacinação que implicam "haver um médico que esteja no local e que faça a vigilância de todo o ato de administração e pós-administração da vacina", o que obriga a uma mobilização de "muitos elementos e recursos, nomeadamente médicos e enfermeiros", segundo o diretor-executivo, António Grade.

"Isso cria alguns constrangimentos, nomeadamente naquilo que é a função de resposta das unidades a outras situações", acrescenta.

A médica Emília Pina, do centro de saúde de Fornos de Algodres, destaca o facto de os idosos ficarem "muito contentes" quando são chamados para a vacina, ainda que ultimamente apresentem alguns receios causados pelas últimas notícias sobre a vacina da AstraZeneca.

"Já telefonaram três [utentes] e disseram que queriam esperar", explicou, no dia 12.

Quando assim é, o centro de saúde dá liberdade ao utente para que entre em contacto quando mudar de ideias ou perceba que outra vacina está a ser distribuída.

Embora "só agora se vá começar a ver realmente se há alguma implicação" no processo de vacinação provocada pela suspensão da vacina da AstraZeneca, António Grade acredita que a mensagem a passar aos mais idosos "é a de que todas as vacinas passam por um processo [de estudo] e tem de se utilizar todas as armas disponíveis, desde que sejam seguras".

"E as vacinas são seguras", garante.

Os receios em relação à covid-19 surgem um pouco por todo o lado, incluindo da parte dos profissionais de saúde que todos os dias lidam com esta realidade.

Luísa Amaral, coordenadora do Centro de Saúde de Fornos de Algodres, descreve este vírus como "diabólico", realçando que tudo o que está a acontecer é novo e os próprios médicos desconhecem a doença.

"Aquilo [o vírus] altera tudo, o raio-x destes doentes faz lembrar a tuberculose", explica a médica.

A incerteza é também uma constante no que diz respeito à eficácia da vacina, uma vez que ainda não se sabe durante quanto tempo o utente vacinado ficará imune.

Até ao dia 20, 22.413 pessoas já tinham sido vacinadas na área da Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda, que abrange 138.528 habitantes, distribuídos por 13 concelhos, sendo que apenas 13.029 tinham feito a vacinação completa.

No Agrupamento de Centros de Saúde Dão-Lafões, que abrange 14 concelhos, "os números [de vacinados] são significativos", diz António Grade, com a primeira dose da vacina contra a covid-19 administrada a 27 mil pessoas e com 14.619 "já com a vacinação completa".

Apesar destes números e de "se estar num processo de desconfinamento, mesmo que este desconfinamento seja a conta-gotas, o problema continua a existir e as pessoas todas têm de ter consciência disso", alerta António Grade.