Coronavírus

Covid-19. Brasil atinge máximo de mortes pelo segundo dia consecutivo

Nas últimas 24 horas foram registadas mais 3.869 mortes.

Covid-19. Brasil atinge máximo de mortes pelo segundo dia consecutivo
Pilar Olivares

O Brasil registou esta quarta-feira, pelo segundo dia consecutivo, um novo máximo de mortes pela covid-19 após ter somado 3.869 óbitos em 24 horas, informou o executivo, acrescentando que o total chegou a 321.515 vítimas mortais.

No dia anterior, a nação sul-americana, com 212 milhões de habitantes, tinha chegado ao máximo histórico de 3.780 vidas perdidas num único dia.

Assim, o Brasil continua a ser o país com mais mortes registas em 24 horas em todo o mundo, uma tendência que se registou ao longo de todo o mês de março, bem acima dos Estados Unidos, o país mais afetado pela pandemia em números absolutos.

Março chega ao fim como o mês mais mortal da pandemia no Brasil, após ter concentrado 66.573 óbitos pela doença em 31 dias, segundo dados do Ministério da Saúde.

De acordo com o último boletim epidemiológico difundido pelo Ministério da Saúde, o Brasil registou ainda 90.638 novos casos de infeção entre terça-feira e hoje, o segundo dia com mais diagnósticos de covid-19 no país, apenas atrás do passado dia 25 de março, quando contabilizou 100.158 casos.

No total, o Brasil concentra 12.748.747 casos positivos do SARS-CoV-2 desde o início da pandemia, registada oficialmente no país há cerca de 13 meses.


Com os dados de hoje, a taxa de incidência da doença no país subiu para 153 mortes e 6.067 casos por 100 mil habitantes.

São Paulo, foco da pandemia em território brasileiro, registou hoje, pela quinta vez, mais de mil mortes (1.160) devido à covid-19 em apenas 24 horas, num total de 74.652 desde o início da pandemia.

Se São Paulo fosse um país, ocuparia a 11º posição no ranking mundial das nações que concentram maior número absoluto de óbitos pela doença causada pelo novo coronavírus.

Aquele que é o Estado mais rico e populoso do Brasil totaliza ainda 2.469.849 casos de infeção.

Já no Rio de Janeiro, uma das unidades federativas mais afetadas no país, a estirpe P.1 do novo coronavírus, detetada no Amazonas, é a principal responsável por uma nova vaga de transmissão da doença na região, segundo informaram hoje representantes da Secretaria Estadual de Saúde.

Naquele que é o momento mais critico da pandemia do país, o Presidente, Jair Bolsonaro, voltou hoje a criticar medidas de isolamento social decretadas por governadores e prefeitos para travar a disseminação descontrolada do vírus.

"O apelo que a gente faz aqui é que políticas de 'lockdown' (confinamento obrigatório) sejam revistas, isso cabe na ponta da linha aos governadores e prefeitos, porque só assim nós podemos voltar à normalidade", afirmou o Presidente após a primeira reunião do novo comité formado pelo Governo e Congresso brasileiros para discutir ações contra a pandemia.

"Não é ficando em casa que nós vamos solucionar esse problema. (...) Nenhuma nação se sustenta por muito tempo com esse tipo de política. E nós queremos realmente é voltar à normalidade o mais rápido possível, buscando medidas para combater a pandemia, como vacinas", completou o chefe de Estado.

As declarações de Bolsonaro foram na contramão das emitidas pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que defenderam medidas de distanciamento social para conter a doença.

"É muito importante a comunicação, que haja um alinhamento da comunicação social do Governo, da Presidência da República, no sentido de haver uma uniformização do discurso, de que é necessário se vacinar, usar máscara, higienizar as mãos, necessário o distanciamento social de modo a prevenirmos o aumento da doença no nosso país", indicou o presidente do Senado.

"No feriado (Semana Santa) não pode haver aglomerações desnecessárias. É importante usar máscara, manter o isolamento. É importante fazer isso. Medidas extremas não são desejadas. Então vamos fazer isso", disse, por sua vez, o ministro da Saúde.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.805.004 mortos no mundo, resultantes de mais de 128,1 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.