Coronavírus

Fim de semana decisivo. As medidas a cumprir na Páscoa

Agentes da PSP controlam a passagem entre os concelhos de Almada e Lisboa, no âmbito das medidas de contenção da pandemia de covid-19, na Ponte 25 de Abril, em Almada.

ANTÓNIO COTRIM

Recorde o que está em vigor até segunda-feira.

Uma Páscoa “completamente diferente” para que a “vida possa ser retomada”. Foi este o apelo do primeiro-ministro para evitar a propagação da covid-19 e, assim, evitar um retrocesso no processo de desconfinamento que avança na próxima segunda-feira.

Mas, até lá, há medidas a cumprir

Esta sexta-feira, sábado, domingo e segunda mantêm-se em vigor o dever de recolhimento domiciliário e a proibição de circulação entre concelhos. Mesmo com uma nova fase de desconfinamento a começar na segunda-feira, nesse dia ainda será proibido circular entre concelhos até às 23:59.

Saiba que as forças de segurança reforçaram a fiscalização e têm ordem para cobrar imediatamente as coimas por incumprimento, que podem ir dos 200 aos mil euros para pessoas singulares.

As exceções preveem, por exemplo, deslocações para apoio a pessoas necessitadas, visitas a idosos, idas ao médico ou para o trabalho. Pode ir-se a supermercados e a parques e jardins, bem como fazer-se passeios higiénicos, desde que na zona da habitação.

Para além disso, os estabelecimentos comerciais são obrigados a encerrar às 13:00, exceto o retalho alimentar, que pode manter portas abertas até às 19:00. Os restaurantes podem funcionar apenas para take-away, venda ao postigo ou entrega ao domicílio.

Uma sexta-feira Santa diferente: com a proibição de circulação entre concelhos a opção é ficar por casa

Com a circulação entre concelhos proibida, muitas pessoas estão a ter uma Páscoa diferente. Junto ao Rio Tejo, a SIC encontrou algumas em passeio, a fazer exercício, mas já com alguns planos para a próxima semana.

"Tradicional almoço de Páscoa deve ser mesmo evitado": o apelo de António Costa

O primeiro-ministro apelou esta quinta-feira, uma vez mais, aos portugueses para que evitem os convívios durante o período da Páscoa.

"Renovo o apelo para que todos façamos o esforço de evitar que esta Páscoa possa ser uma Páscoa infeliz."

Numa comunicação ao país, António Costa afirmou que evitar estes convívios será "absolutamente fundamental" para evitar a propagação de casos de covid-19.

"Evitar os convívios com outras pessoas é absolutamente fundamental. O tradicional almoço de Páscoa deve ser mesmo evitado", disse António Costa, na conferência de imprensa realizada após o conselho de ministros.

Costa diz que medidas "serão progressivas" caso Rt supere 1

António Costa explicou também esta quinta-feira que serão equacionadas "medidas progressivas" de contenção da pandemia de covid-19 no cenário de um índice de transmissibilidade (Rt) acima de 1 no país, sendo que o valor do continente é de 0,94.

"Se passarmos o 1, como sempre dissemos, as medidas serão progressivas. Uma coisa é chegarmos a 1,01, outra coisa é termos 1,5 ou 1,2. Temos de graduar devidamente as medidas, agora o esforço que temos de fazer é mantermo-nos no quadrante verde, é esse o esforço que é necessário fazer. Desde que nós façamos esse esforço, nós conseguimos resultados", afirmou o chefe de governo na conferência de imprensa após a reunião do Conselho de Ministros.

Na sequência da reunião que aprovou as medidas para a segunda fase do plano de desconfinamento, a partir de 5 de abril, António Costa admitiu que esta variável de transmissibilidade do vírus SARS-CoV-2 "tem vindo a acelerar", contrariamente à incidência acumulada de novos casos por 100 mil habitantes a 14 dias, mas lembrou que tal é também uma consequência da redução de casos.

Páscoa: "Iremos ter uma situação que vai potenciar o início de uma vaga"

O professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Carlos Antunes, alerta que a incidência da covid-19 está a aumentar em grupos etários específicos, nomeadamente, o grupo dos 0 até aos 5 anos, e no dos 18 aos 24 anos, grupo que lidera em termos de incidência. O contrário acontece ao grupo dos 80+ que aparece em quarto lugar, fruto já da campanha de vacinação, alega o professor, lembrando que 80% das pessoas desta faixa etária tomaram pelo menos a primeira dose da vacina.