Coronavírus

Covid-19: Comissão parlamentar denuncia ameaças do filho do Presidente do Brasil

Em causa está um vídeo divulgado por Renan Bolsonaro numa loja de armas.

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A Comissão Parlamentar de Investigação (CPI) do Senado brasileiro que investiga a gestão governamental da pandemia de covid-19 denunciou supostas ameaças alegadamente feitas por um dos filhos do Presidente do país, Jair Bolsonaro, na terça-feira.

Vários membros da comissão consideraram uma ameaça aos senadores e ao próprio Senado um vídeo divulgado por Renan Bolsonaro, quarto filho do Presidente brasileiro, numa loja de armas que ele chamou de 'brinquedos' em que aparecia escrito, numa espécie de legenda, a mensagem "Alô CPI".

Renan Bolsonaro foi mencionado nesta investigação parlamentar pelas suas relações com um empresário que intermediou negociações de vacinas contra a covid-19 que envolveram o Governo brasileiro.

Ana Cristina Valle, ex-mulher do Presidente brasileiro e mãe de Renan Bolsonaro, também foi convocada para depor sobre este assunto por ser suspeita de ter participado em irregularidades.

O presidente da CPI, senador Omar Aziz, considerou que o vídeo era "inaceitável" e uma "clara ameaça".

Já o senador Alessandro Vieira, um dos membros da CPI, sugeriu que Renan Bolsonaro também fosse convocado para depor, o que gerou duros protestos dos elementos da comissão que defendem o Governo brasileiro.

Aziz paralisou o debate, mas esclareceu que se dirigiu ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, para estudar o vídeo do filho de Bolsonaro e determinar as ações que devem ser tomadas "em defesa do Parlamento contra essas ameaças".

CPI investiga ações e omissões do Governo Bolsonaro na pandemia

A CPI da pandemia investiga há meses ações e omissões do Governo Bolsonaro na pandemia. O grupo já possui vasto material sobre ações do Governo que teriam influenciado o agravamento da pandemia no país.

Um desses elementos foi a insistência do Governo brasileiro em promover na saúde pública o uso em massa de remédios de eficácia não comprovada contra a covid-19, como a cloroquina, incluídos numa mistura descrita como "tratamento precoce" que o próprio Bolsonaro defendeu nesta terça-feira na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU).

"Fui um dos que fizeram aquele tratamento inicial", disse o Presidente ao falar na ONU em referência à época em que foi infetado pela covid-19, e disse não entender "quantos países e parte da 'media' foram contra isso", acrescentando que "a história e a ciência saberão como responsabilizar todos".

O Brasil é o país lusófono mais afetado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo ao contabilizar 590.955 vítimas mortais e mais de 21,2 milhões de casos confirmados de covid-19.

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