Coronavírus

Covid-19: “Não faz sentido voltarmos a um ponto onde estávamos antes da vacinação”

A análise de Tiago Correia, professor de Saúde Pública Internacional, à terceira fase de desconfinamento anunciada pelo Governo.

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O primeiro-ministro anunciou na quinta-feira que o país está "em condições de avançar" para a terceira e última fase do desconfinamento e adiantou que, na próxima semana, deverá ser atingida a meta de 85% da população com a vacinação completa contra a covid-19.

Tiago Correia, professor de Saúde Pública Internacional, afirma, em entrevista à SIC Notícias, que este avanço no desconfinamento “não é a libertação total”, mas que seria “pouco prudente” que tal acontecesse.

Certificados digitais "vão perdendo o seu objetivo"

Ainda assim, Tiago Correia defende que é necessário caminhar para um abandono progressivo dos certificados digitais, sobretudo numa altura em que o país está perto de atingir os 85% da população vacinada, lembrando que estes eram “instrumentos temporários” que “vão perdendo o seu objetivo” com o atingir desta meta da vacinação.

Não podemos cair no erro de assumir que o certificado vai ficar na nossa vida para sempre. Levanta problemas jurídicos e constitucionais importantes. Com 85% da população vacinada, os certificados vão perdendo o seu objetivo, eram instrumentos temporários”, afirma.

Casos deverão aumentar, mas incidêndia do vírus "interessa menos"

Sobre as consequências deste alívio das restrições no aumento dos casos de covid-19, o especialista em saúde pública afirma que é esperada essa subida, à semelhança do que aconteceu noutros países que já avançaram no desconfinamento. Contudo, diz que o importante, nesta altura, não é tanto a incidência do vírus, mas sim verificar se o aumento se traduz num aumento da gravidade “do ponto de vista de cuidados de saúde e óbitos”.

“Permanecem muitas dúvidas, mas a mensagem é que estamos a dar os passos seguros e a fazer o caminho que é necessário ser feito neste momento: irmos abdicando de restrições e caminharmos na ideia da responsabilidade. Cada um de nós irá fazer a sua gestão de risco”, defende.

Questionado sobre se é necessário proceder a uma nova interpretação do isolamento profilático para contactos de risco, Tiago Correia defende que sim, explicando que “não faz sentido voltarmos a um ponto onde estávamos antes da vacinação”.

Se nos vacinamos então porque temos de estar sujeitos às mesmas regras? Se as pessoas fazem a sua parte, não faz sentido voltarmos a um ponto onde estávamos antes da vacinação”, sublinha.

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