Coronavírus

Pesquisa por voos na China dispara 600% após fim de várias medidas de combate à covid-19

Pesquisa por voos na China dispara 600% após fim de várias medidas de combate à covid-19
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As deslocações foram reduzidas nos últimos anos, devido às medidas de prevenção epidémica vigentes no país.

A procura por voos na plataforma de viagens chinesa Trip.com, para o feriado do Ano Novo Chinês, disparou esta quarta-feira mais de 600 por cento, após as autoridades terem anunciado o fim de várias medidas de prevenção contra a covid-19.

A plataforma tinha afirmado mais cedo que esperava um aumento de 900% na procura por bilhetes de avião e comboio, durante o feriado, de acordo com a imprensa local, mas foi surpreendida pela publicação, logo a seguir, das novas diretrizes de prevenção epidémica, pelo Conselho de Estado (Executivo) chinês.

Apenas duas horas depois de a plataforma ter revelado o seu plano para o período de férias, o volume de buscas por bilhetes de avião e reservas de hotel aumentou mais de 600%, em comparação com o dia anterior.

O Ano Novo Chinês calha este ano na última semana de janeiro. A principal festa das famílias chinesas, equivalente ao natal nos países ocidentais, regista, tradicionalmente, a maior migração interna do planeta, com centenas de milhões de chineses a regressarem à terra natal.

As deslocações foram, no entanto, reduzidas nos últimos anos, devido às medidas de prevenção epidémica vigentes no país. Estas medidas incluíam um período de quarentena para os viajantes oriundos de cidades ou províncias com surtos activos.

Fim dos isolamentos em campos de quarentena e de testes em vários espaços: o que muda na China

A China vai passar a permitir que alguns infetados assintomáticos e com casos ligeiros de covid-19, "que reúnam determinadas condições", recuperem em casa, em vez de serem isolados em instalações designadas.

As medidas incluem ainda a redução da frequência de testes PCR para a população, entre outras decisões que sinalizam o fim da política de 'zero casos' de covid-19, que vigorou no país desde o início da pandemia.

Nos últimos dias, a imprensa oficial passou a minimizar os riscos da variante Ómicron do novo coronavírus, por meio de artigos e entrevistas com especialistas.

As autoridades já afirmaram que estão reunidas as "condições" para o país "ajustar" as suas medidas nesta "nova situação", em que o vírus causa menos mortes, embora também tenham anunciado um plano para acelerar a vacinação dos idosos, o grupo mais vulnerável, mas também o mais relutante em ser inoculado, no país asiático.

A mudança de política surge após protestos recentes em várias cidades chinesas contra a política de 'zero casos' de covid-19, que gerou uma sucessão de tragédias e casos de abuso da autoridade e mantém as fronteiras do país fechadas há quase três anos.

Os protestos foram suscitados por um incêndio mortal num prédio na cidade de Urumqi, no noroeste da China. Os manifestantes dizem que os bloqueios no bairro, no âmbito das medidas de prevenção epidémica, atrasaram o acesso do camião dos bombeiros. Os moradores também não conseguiram escapar do prédio, cuja porta estava bloqueada.